Lemtrada

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Lemtrada

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Revisão médica

Rosario Oropesa

Última atualização 22/12/2025

Esta página fornece informações gerais e de referência compiladas a partir de fontes médicas oficiais. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Para decisões sobre a sua saúde, consulte um profissional de saúde qualificado.

Visão geral de Lemtrada

O que é o Lemtrada?

O Lemtrada é um medicamento sujeito a receita médica que contém a substância ativa alemtuzumab. Este fármaco pertence a uma classe de medicamentos conhecidos como anticorpos monoclonais, que são concebidos para reconhecer e ligar-se a proteínas específicas no organismo.

Este medicamento é indicado para o tratamento de adultos com esclerose múltipla (EM) surto-remissão. É especificamente utilizado em doentes que apresentam uma doença ativa, definida por características clínicas ou imagiológicas, ou em casos onde a resposta a outras terapêuticas para a esclerose múltipla tenha sido inadequada.

O Lemtrada funciona ao visar os linfócitos, um tipo de glóbulos brancos que fazem parte do sistema imunitário e que estão envolvidos no processo inflamatório da esclerose múltipla. Ao reduzir temporariamente o número destas células, o medicamento ajuda a diminuir a inflamação e o dano nos nervos, contribuindo para a redução da frequência de surtos e para o retardamento da progressão da incapacidade física.

Quais efeitos secundários são possíveis com Lemtrada?

Efeitos Secundários Possíveis e Informações de Segurança

O perfil de segurança do Lemtrada (alemtuzumab) é caracterizado por padrões específicos de reações adversas, que se encontram classificadas nos documentos regulatórios oficiais de acordo com a sua frequência e o sistema de órgãos afetado.

Classificação de Reações Adversas

Muito Frequentes (igual ou superior a 10%): Muitas reações adversas são classificadas como muito frequentes. Estas estão maioritariamente relacionadas com o período de administração e incluem reações associadas à infusão, tais como dores de cabeça, erupções cutâneas, febre (pirexia), náuseas e fadiga. Os distúrbios da glândula tiroide, que podem manifestar-se como excesso de atividade (hipertiroidismo) ou atividade insuficiente (hipotiroidismo), bem como infeções como a nasofaringite e infeções do trato urinário, também pertencem a esta categoria.

Classes de Sistemas de Órgãos Envolvidos: Estão documentados efeitos adversos em múltiplos sistemas, incluindo o sistema imunitário, endócrino, vascular, cardíaco, renal e urinário, além de infeções e infestações.


Reações Adversas Graves e Padrões de Segurança

As informações oficiais de segurança destacam uma série de reações adversas graves, que podem ser fatais:

  • Condições Autoimunes Graves: Estas incluem a Púrpura Trombocitopénica Imunitária (PTI), a Doença do Anticorpo Anti-Membrana Basal Glomerular (um distúrbio renal grave) e a hepatite autoimune. O início destas condições autoimunes pode ser tardio, ocorrendo muitos meses ou anos após o último ciclo de tratamento.
  • Eventos Vasculares e Cardiovasculares: Foram documentados casos graves de acidente vascular cerebral (isquémico e hemorrágico), dissecção das artérias cervicocefálicas (ruturas nas artérias do pescoço) e enfarte do miocárdio. Geralmente, estes eventos ocorrem durante a infusão ou no prazo de 1 a 3 dias após a administração.
  • Infeções Graves e Neoplasias: Estão listadas infeções graves, incluindo a Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP) e a Listeria. Os rótulos regulatórios referem também um possível aumento do risco de certos tipos de cancro, como o cancro da tiroide e o melanoma.

Limitações de Segurança e Populações não Estudadas

O Lemtrada é contraindicado em doentes com infeções ativas até que estas estejam resolvidas, em doentes com hipersensibilidade grave conhecida e em doentes com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). A segurança e a eficácia não foram estabelecidas na população pediátrica (0–18 anos), na população geriátrica (igual ou superior a 65 anos) ou em doentes com compromisso renal ou hepático.

Sobredosagem e resposta em caso de emergência

Sobredosagem e Quando Procurar Ajuda

As informações oficiais de prescrição abordam os riscos agudos associados à exposição ao Lemtrada, sublinhando a necessidade de uma gestão célere de manifestações graves. Embora o perfil clínico específico para uma sobredosagem acidental seja limitado, os documentos regulatórios descrevem os sinais que exigem atenção médica de emergência imediata.

Manifestações Documentadas e Resultados Graves

Uma exposição aguda e excessiva pode manifestar-se através de sinais de reações graves relacionadas com a infusão, incluindo dificuldade em respirar, dor no peito ou batimento cardíaco acelerado. Outros resultados críticos documentados estão associados a eventos cerebrovasculares, tais como acidente vascular cerebral (isquémico ou hemorrágico) e dissecção das artérias cervicocefálicas, relatados nos dias seguintes à administração. Outras complicações graves registadas em fontes regulatórias incluem o enfarte do miocárdio e a hemorragia nos pulmões (hemorragia alveolar pulmonar). A substância ativa, em doses substancialmente superiores ao regime recomendado (por exemplo, doses únicas superiores a 30 mg), acarreta o risco de pancitopenia ou hipoplasia da medula óssea.

Ações de Emergência Necessárias

A rotulagem oficial determina estritamente que os indivíduos devem procurar assistência médica imediata perante qualquer sinal de acidente vascular cerebral, rotura arterial ou reação grave à infusão. No caso de suspeita de sobredosagem, o tratamento é de natureza de suporte, exigindo a interrupção imediata da infusão intravenosa. Não existe um antídoto específico conhecido documentado nas informações de prescrição regulatórias. É necessária monitorização durante, pelo menos, duas horas após cada administração para observar a ocorrência de reações agudas.

Usos terapêuticos de Lemtrada

Indicações e Benefícios do Lemtrada

O Lemtrada é habitualmente utilizado em adultos com formas recorrentes de esclerose múltipla (EM), o que inclui a EM surto-remissão e a EM secundária progressiva ativa, especialmente em casos de doença com elevada atividade. Este medicamento é relevante em contextos de elevada carga sistémica, ajudando a controlar os surtos neurológicos recorrentes e a inflamação ativa subjacente detetada através de exames de imagem. Um benefício central para o doente é a redução da taxa anual de surtos, o que permite uma gestão mais estável das flutuações dos sintomas e contribui para diminuir a carga global da sintomatologia.

Por este motivo, este fármaco é frequentemente indicado para adultos que apresentaram uma resposta inadequada a, pelo menos, duas outras terapêuticas modificadoras da doença. A terapia desempenha um papel na gestão do risco de acumulação de incapacidade física a longo prazo — sintomas que interferem com o funcionamento diário — e pode auxiliar no potencial de melhoria sustentada de défices existentes, apoiando uma melhor capacidade funcional futura. Para doentes com atividade persistente da doença, esta abordagem terapêutica promove a gestão da patologia a longo prazo e a estabilização da função neurológica.

Factos Rápidos: Apoio na EM Recorrente
Foco Terapêutico Apoio na gestão da doença a longo prazo.
Foco nos Sintomas Surtos recorrentes e acumulação de incapacidade.
Contexto Aplicado quando dois ou mais tratamentos anteriores falharam.
Benefício Auxilia na manutenção da estabilidade funcional.

Critérios de utilização e restrições

Quem pode e quem não pode utilizar o Lemtrada?

A elegibilidade para o Lemtrada (alemtuzumab) é estritamente definida pelas autoridades regulamentares. A sua utilização é, geralmente, reservada a doentes adultos com formas recorrentes de esclerose múltipla que tenham demonstrado uma resposta inadequada a duas ou mais terapêuticas modificadoras da doença (TMD) anteriores.

Grupo Populacional Estado de Elegibilidade
População Permitida Adultos (com 18 ou mais anos) com atividade específica da doença e falha de tratamento prévio.
Utilização Não Recomendada Doentes com menos de 18 anos de idade (segurança não estabelecida); doentes com compromisso renal ou hepático grave (não estudados); indivíduos com doença inativa.
Grupos Contraindicados Infeção por VIH; hipersensibilidade conhecida ao medicamento; presença de uma infeção ativa grave; distúrbios cardiovasculares específicos (ex.: antecedentes de acidente vascular cerebral, hipertensão não controlada); coagulopatia conhecida; outras doenças autoimunes concomitantes além da esclerose múltipla.

Idade e Função Orgânica: A utilização na população pediátrica (menos de 18 anos) não é oficialmente recomendada devido à falta de dados estabelecidos. O uso em doentes com compromisso renal ou hepático grave também não é recomendado, uma vez que estes grupos não foram estudados em ensaios clínicos.

Gravidez e Amamentação: O uso deste medicamento está formalmente contraindicado durante a gravidez. As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar métodos contracetivos eficazes durante o tratamento e durante os quatro meses seguintes à última infusão. A amamentação deve também ser interrompida durante quatro meses após a infusão final de cada ciclo de tratamento.

O que devo saber sobre interações com outros medicamentos?

Interações com outros medicamentos e produtos

As informações regulamentares oficiais relativas às interações do Lemtrada (alemtuzumab) baseiam-se principalmente nos efeitos profundos do fármaco sobre o sistema imunitário, o que leva a restrições específicas quanto a produtos administrados em conjunto.

Âmbito das Interações

Propriedade Declaração Regulamentar Oficial
Categorias de produtos com interações documentadas Vacinas vivas atenuadas; outros agentes imunossupressores ou imunomoduladores.
Base mecanística das interações Farmacodinâmica: A supressão imunitária e a depleção linfocitária prolongada aumentam o risco de infeções graves ou de doença induzida pela vacina no caso de vacinas virais vivas. Farmacocinética: Não foram realizados estudos formais de interação medicamentosa relativamente ao sistema enzimático CYP ou a transportadores.
Regras de interação baseadas na temporização As vacinas virais vivas não podem ser administradas após um ciclo de Lemtrada. As imunizações devem estar concluídas, pelo menos, seis semanas antes do início do tratamento.
Restrições relacionadas com interações Coadministração Proibida: Vacinas virais vivas. Restrição Alimentar: Os doentes devem evitar alimentos que possam ser uma fonte de Listeria monocytogenes devido ao aumento documentado do risco de listeriose.

Estrutura Resultante das Interações

Os rótulos regulamentares especificam que a administração conjunta de vacinas vivas atenuadas é contraindicada, dado o risco documentado de infeção grave ou fatal devido aos efeitos do medicamento nas células imunitárias circulantes. O uso de outras terapias imunossupressoras é, geralmente, restrito ou abordado com cautela devido ao potencial de supressão imunitária aditiva. Além disso, a rotulagem oficial determina uma restrição de segurança alimentar, aconselhando a que se evitem alimentos com risco de Listeria, e exige que todas as imunizações pré-tratamento necessárias sejam concluídas, no mínimo, seis semanas antes do início da terapêutica. O perfil global de interações é definido por estas limitações farmacodinâmicas, uma vez que não estão formalmente documentadas interações farmacocinéticas que envolvam as enzimas CYP ou transportadores.

Mecanismo de ação

Como funciona o Lemtrada

O Lemtrada (alemtuzumab) é um anticorpo monoclonal concebido para atuar no sistema imunitário de indivíduos com formas recorrentes de esclerose múltipla. O mecanismo exato pelo qual o medicamento exerce os seus efeitos terapêuticos na esclerose múltipla não é totalmente conhecido, mas baseia-se na interação com células específicas da defesa do organismo.

A substância ativa, o alemtuzumab, liga-se a uma proteína denominada CD52, que se encontra presente na superfície de certos glóbulos brancos, especificamente nos linfócitos T e B. Estes linfócitos fazem parte do sistema imunitário e, em casos de esclerose múltipla, acredita-se que estas células ataquem a bainha protetora (mielina) que envolve os nervos no sistema nervoso central, provocando inflamação e danos.

Ao ligar-se ao recetor CD52, o Lemtrada provoca a remoção e a destruição destes linfócitos da corrente sanguínea. Após a administração do tratamento, o número destas células circulantes diminui drasticamente. Com o passar do tempo, o organismo começa a repovoar o sistema imunitário com novos linfócitos.

Este processo de eliminação seguido pela regeneração das células imunitárias parece alterar a resposta do sistema imunitário, reduzindo potencialmente a atividade inflamatória associada à doença. Esta alteração no perfil dos linfócitos pode ajudar a diminuir a frequência das exacerbações e a abrandar a progressão da incapacidade física nos doentes tratados.

Informações sobre dosagem e administração

Como utilizar o Lemtrada

O Lemtrada (alemtuzumab) é administrado através de uma infusão intravenosa (IV) para o tratamento de formas recorrentes de esclerose múltipla. Este medicamento é, geralmente, reservado para doentes que não obtiveram uma resposta adequada a dois ou mais tratamentos anteriores para a esclerose múltipla. Devido ao risco de efeitos secundários graves, o medicamento está disponível apenas através de programas de utilização restrita, que visam assegurar a formação de doentes e profissionais de saúde sobre os requisitos de monitorização contínua.

Esquema Posológico

O ciclo completo de tratamento envolve dois períodos de administração separados, com um intervalo de aproximadamente 12 meses entre eles. A dose individual é de 12 mg por dia. A infusão é habitualmente administrada ao longo de cerca de quatro horas numa unidade de saúde devidamente equipada para gerir reações graves à infusão.

Ciclo de Tratamento Dose Diária Duração Intervalo
Primeiro Ciclo 12 mg 5 dias consecutivos Administração inicial
Segundo Ciclo 12 mg 3 dias consecutivos 12 meses após o primeiro ciclo

Podem ser administrados ciclos de tratamento subsequentes de 12 mg diários durante 3 dias consecutivos, conforme necessário, mas nunca antes de decorridos 12 meses após o ciclo anterior.

Monitorização e Pré-tratamento Obrigatórios

Para ajudar a gerir riscos potenciais, tais como reações à infusão e condições autoimunes, os doentes devem receber um pré-tratamento com corticosteroides imediatamente antes da infusão nos primeiros três dias de cada ciclo. É também necessária a profilaxia antiviral para a infeção por herpes, começando no primeiro dia de tratamento e continuando por um período mínimo de um a dois meses após a dose final de cada ciclo.

A monitorização laboratorial contínua, que inclui hemogramas completos, creatinina sérica e análises à urina, é obrigatória antes de iniciar o tratamento e deve prosseguir em intervalos mensais até, pelo menos, 48 meses após a última infusão do ciclo final.

Evidência clínica recente

Evidência Científica / Visão Geral dos Estudos sobre o Lemtrada

Evidência Clínica na Esclerose Múltipla Recorrente (EMR)

A investigação sobre este medicamento envolveu principalmente Ensaios Controlados Aleatorizados (ECA), que representam um modelo de estudo comparativo frequentemente utilizado na avaliação de medicamentos. Estes estudos examinaram as diferenças medidas entre o medicamento em estudo e um comparador ativo (Interferão beta-1a) em adultos com Esclerose Múltipla Recorrente (EMR), uma condição caracterizada por manifestações flutuantes ou episódicas. Os investigadores monitorizaram rigorosamente resultados fundamentais relacionados com alterações episódicas ou agudas na atividade da doença e indicadores que refletem o funcionamento diário ou o nível de atividade.

Estudos em Doentes Sem Tratamento Prévio

Este subcapítulo foca-se nos ensaios que avaliaram doentes adultos que não tinham recebido anteriormente terapêuticas modificadoras da doença para a EM. A investigação explorou a frequência com que os participantes sofriam surtos (exacerbações) e se desenvolviam novos sinais de atividade da doença, tais como novas lesões visíveis em exames de Ressonância Magnética (RM). Nestes estudos, os resultados descrevem padrões observados onde os estudos registaram diferenças na taxa de surtos medida entre o grupo do medicamento em estudo e o grupo do comparador ativo. Ao examinar a acumulação sustentada de incapacidade (uma medida de longo prazo do agravamento funcional), os ensaios iniciais não reportaram diferenças estatisticamente significativas neste resultado entre os dois grupos durante o período de observação de dois anos.

Estudos em Doentes com Experiência Terapêutica

Este subcapítulo descreve a investigação realizada em doentes que apresentavam doença ativa, tendo sofrido surtos apesar de terem recebido anteriormente outros tratamentos para a EM. Estes estudos monitorizaram os mesmos indicadores clínicos e radiológicos fundamentais. Os estudos reportaram padrões relacionados com a taxa anual de surtos face ao comparador. Além disso, nesta população específica, a investigação descreveu padrões distintos de acumulação de incapacidade confirmada entre o grupo do medicamento em estudo e o grupo de comparação ao longo do período de estudo de dois anos.

Investigação de Longo Prazo e Durabilidade do Acompanhamento

Devido à natureza deste medicamento, os investigadores realizaram estudos de extensão abertos para acompanhar os doentes durante muitos anos após a conclusão dos ensaios iniciais de dois anos, mesmo que estes não tenham recebido ciclos adicionais do medicamento em estudo. Esta secção descreve o período alargado de acompanhamento, que rastreou alguns participantes durante sete a nove anos e, nalguns casos, até 12 anos.

Esta investigação abrangente incidiu sobre estas grandes coortes para observar os padrões de longo prazo relacionados com a atividade da doença. Muitos doentes que participaram nestes estudos não receberam ciclos adicionais do medicamento em estudo durante o período de acompanhamento alargado. Os resultados descrevem padrões observados onde as taxas de surtos medidas foram verificadas nas populações em estudo ao longo dos anos após o tratamento, tendo sido descritos padrões relativos à proporção de doentes sem agravamento confirmado da incapacidade. Os estudos de longo prazo continuaram também a monitorizar a atividade radiológica, tendo a investigação explorou a evolução dos resultados e a forma como a atividade da doença surgia na RM ao longo destes intervalos de tempo definidos.

Perguntas frequentes (FAQ)

Perguntas frequentes sobre o Lemtrada (FAQ)


P: Quais são os efeitos a longo prazo da utilização de Lemtrada?

Os documentos regulamentares incluem informações sobre potenciais riscos a longo prazo. Estes riscos envolvem o desenvolvimento de condições autoimunes tardias graves que podem ocorrer meses ou anos após o tratamento, tais como a Púrpura Trombocitopénica Imunitária, lesões renais ou distúrbios da tiroide. A informação oficial do produto refere ainda um risco aumentado de certas neoplasias malignas, como o cancro da tiroide e o melanoma.


P: Por que razão o Lemtrada é administrado em ciclos de tratamento separados?

O esquema posológico aprovado envolve um ciclo de tratamento inicial seguido de um segundo ciclo 12 meses depois. Isto está relacionado com o modo de ação do fármaco, que causa uma depleção rápida de certas células imunitárias (linfócitos), seguida de uma reconstituição lenta e a longo prazo do sistema imunitário. Ciclos subsequentes podem ser administrados apenas conforme necessário e nunca antes de decorridos 12 meses após o ciclo anterior.


P: A que tipo de infeções devem os doentes estar atentos?

A rotulagem oficial indica que existe um risco de infeções graves, incluindo infeções fatais. A informação oficial identifica sinais de infeção grave, particularmente as causadas por vírus herpes, Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP) e infeção por Listeria. Devido a este risco, é prescrita uma medicação antiviral em conjunto com o tratamento.


P: Existe um número máximo de ciclos de tratamento que uma pessoa pode receber?

O esquema de tratamento aprovado envolve dois ciclos iniciais. Após o segundo ciclo, os documentos oficiais referem que ciclos de tratamento subsequentes podem ser administrados conforme necessário. Deve existir um intervalo mínimo de 12 meses entre quaisquer ciclos de tratamento.


P: O Lemtrada afeta a fertilidade ou dificulta a possibilidade de engravidar?

Não se sabe se este medicamento afeta a fertilidade humana. No entanto, estudos em animais indicaram que o fármaco pode causar efeitos adversos nos órgãos reprodutores masculinos. Para mulheres com potencial para engravidar, as orientações oficiais especificam que é obrigatória a utilização de contraceção eficaz durante o tratamento e durante, pelo menos, quatro meses após cada ciclo de tratamento.


P: Como é a experiência do processo de infusão propriamente dito?

A infusão é administrada durante um período de aproximadamente quatro horas. O procedimento inclui a administração de corticosteroides antes da infusão para ajudar a reduzir a probabilidade de reações relacionadas com a mesma. Os doentes devem também ser monitorizados por um profissional de saúde durante, pelo menos, duas horas após cada infusão.


P: Uma pessoa com antecedentes de certos cancros pode utilizar Lemtrada?

O medicamento está contraindicado em doentes que apresentem segundas neoplasias malignas ativas.


P: Existem restrições diferentes para homens e mulheres que utilizam Lemtrada?

Sim. As orientações oficiais especificam que as mulheres com potencial para engravidar devem utilizar contraceção eficaz durante o tratamento e nos quatro meses seguintes à última infusão. Além disso, os dados em animais mostraram efeitos nos órgãos reprodutores masculinos.


P: Que tipo de testes de triagem são necessários antes de iniciar o Lemtrada?

A rotulagem oficial descreve vários testes de triagem necessários antes da administração da primeira dose. Estes testes incluem o rastreio do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), dos vírus da Hepatite B e C e um teste de rastreio da tuberculose (TB).


P: O Lemtrada pode afetar a função hepática? Como é feita a monitorização?

O rótulo oficial refere que o medicamento pode causar lesões hepáticas graves, incluindo Hepatite Autoimune. Os requisitos oficiais de monitorização indicam que as análises à função hepática (ALT e AST) são necessárias antes e periodicamente durante todo o período de tratamento.


P: Quais são os resultados típicos esperados descritos na investigação clínica?

Os estudos clínicos examinaram o fármaco e descreveram diferenças medidas na taxa anual de surtos quando comparado com um comparador ativo. Os estudos mostraram também um padrão diferente de acumulação de incapacidade confirmada nos doentes tratados com o medicamento.


P: O tratamento requer alguma preparação especial em casa?

Sim. A documentação oficial especifica que a profilaxia antiviral (um medicamento preventivo) é necessária para proteger contra a infeção por herpes. Este medicamento deve ser iniciado no primeiro dia de tratamento e continuado durante um período mínimo de um a dois meses após a dose final de cada ciclo.


P: Com que rapidez começa o Lemtrada a atuar após a infusão?

A ação inicial do fármaco envolve uma depleção rápida de linfócitos (um tipo de glóbulos brancos). A investigação clínica indica que foram observadas diferenças na taxa anual de surtos nos estudos iniciados no primeiro ano de observação.


P: O Lemtrada pode causar queda de cabelo ou alterações na pele?

A rotulagem oficial lista reações adversas dermatológicas. A erupção cutânea é referida nos documentos regulatórios como uma reação adversa muito frequente. A alopécia (queda de cabelo) também está listada como uma reação adversa frequente que pode ocorrer.


P: Quais são os sinais de um problema na tiroide relacionado com o Lemtrada?

Os distúrbios da glândula tiroide constituem um risco potencial. Estes incluem tanto o hipertiroidismo (excesso de atividade) como o hipotiroidismo (atividade insuficiente). Os sinais de um potencial problema na tiroide podem incluir batimento cardíaco acelerado, aumento da sudação, fadiga ou perda/ganho de peso inexplicável.


P: Posso conduzir um automóvel imediatamente após receber a infusão?

A informação oficial de segurança refere que o medicamento pode ter uma influência menor na capacidade de conduzir ou utilizar máquinas. Isto deve-se ao facto de poderem ocorrer efeitos adversos potenciais, como tonturas ou fadiga, após a infusão.


P: Quanto tempo permanece o Lemtrada no organismo após a interrupção do tratamento?

A semivida da substância ativa no organismo é de aproximadamente quatro dias. A substância é, habitualmente, indetetável no sangue no prazo de 30 dias após a conclusão de um ciclo de tratamento.


P: Existem alterações emocionais ou de humor comuns relatadas com o Lemtrada?

Os dados clínicos reportados nos documentos regulatórios listam a depressão como uma reação adversa frequente, o que significa que foi observada em pelo menos 1%, mas em menos de 10% dos doentes nos estudos.


P: Qual é a diferença entre uma reação associada à infusão e um efeito secundário?

A informação oficial do produto estabelece uma distinção entre estes eventos. As reações relacionadas com a infusão são reações que ocorrem tipicamente durante ou nas 24 horas seguintes à administração. Outras reações adversas (efeitos secundários) incluem eventos graves, como condições autoimunes e distúrbios da tiroide, que podem ter um início tardio de meses ou anos após o tratamento.

Como Lemtrada deve ser armazenado e descartado?

Como Armazenar e Eliminar o Lemtrada (alemtuzumab)

As informações oficiais de rotulagem estabelecem requisitos rigorosos de conservação e manuseamento para o Lemtrada, com o objetivo de preservar a integridade do produto.

Requisitos de Conservação

Componente de Conservação Requisito Oficial
Temperatura (Não Diluído) Deve ser conservado no frigorífico entre 2 °C e 8 °C.
Condições Proibidas Não congelar os frascos para injetáveis nem agitá-los antes de usar.
Proteção da Luz Manter o frasco para injetáveis por abrir dentro da embalagem exterior original para proteger da luz.
Segurança Infantil Conservar o produto fora da vista e do alcance das crianças.

Estabilidade e Eliminação

Após a diluição para infusão, a solução possui um período de estabilidade limitado e a administração deve ser iniciada num prazo de 8 horas após a preparação. Durante este intervalo, a solução preparada também deve ser protegida da luz. O frasco para injetáveis de Lemtrada destina-se a uma única utilização. Qualquer quantidade de produto não utilizada ou que permaneça no frasco deve ser eliminada de acordo com as normas locais relativas a resíduos farmacêuticos.

Atenção! Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de usar pílulas ou medicamentos.

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