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Cryoprecipitate

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Cryoprecipitate

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Revisão médica

Laura Arias

Última atualização 22/12/2025

Esta página fornece informações gerais e de referência compiladas a partir de fontes médicas oficiais. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Para decisões sobre a sua saúde, consulte um profissional de saúde qualificado.

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Visão geral de Cryoprecipitate

Factos Rápidos

Propriedade Descrição
Ingredientes Ativos Fibrinogénio (Fator I), Fator VIII de Coagulação, Fator de von Willebrand (vWF), Fator XIII
Forma Componente sanguíneo congelado (solução para via IV)
Classe Farmacológica Terapêutica de Substituição de Fatores de Coagulação, Agente Hemostático
Objetivo Geral Apoiar e reforçar a coagulação do sangue (hemostase)
Origem Derivado de plasma humano (natural, alogénico)

O que é o Crioprecipitado e que tipo de medicamento é?

O Crioprecipitado, frequentemente designado apenas como Crio, é um componente sanguíneo altamente específico e uma Terapêutica de Substituição de Fatores de Coagulação derivado de plasma humano. É classificado principalmente como um Agente Hemostático potente porque a sua função principal é apoiar e fortalecer a capacidade natural do organismo para estancar hemorragias (hemostase). Este produto especializado é criado através do congelamento e posterior descongelamento controlado a frio do Plasma Fresco Congelado (PFC); o precipitado insolúvel no frio resultante é isolado e preparado como uma solução concentrada para administração intravenosa (IV). É reconhecido como uma ferramenta essencial para fornecer apoio rápido à coagulação, particularmente em casos de hemorragia major aguda onde o fibrinogénio se encontra criticamente baixo.


Que fatores de coagulação essenciais estão concentrados no Crioprecipitado?

O Crioprecipitado é um produto combinado que fornece uma mistura concentrada de cinco fatores de coagulação fundamentais para a coagulação. O principal ingrediente ativo é uma elevada concentração de Fibrinogénio (Fator I de Coagulação), juntamente com quantidades significativas de Fator VIII de Coagulação (Fator Anti-hemofílico, AHF), Fator de von Willebrand (vWF), Fator XIII de Coagulação e Fibronectina. O seu estatuto como um produto destinado à substituição de proteínas plasmáticas confirma o papel do produto na reposição direta destas proteínas essenciais na corrente sanguínea. Por ser intrinsecamente derivado de plasma humano, é um produto natural e é clinicamente reconhecido pela sua capacidade de fornecer um elevado teor de Fibrinogénio, um fator diferenciador crítico em relação ao plasma geral. É fornecido como um produto sanguíneo congelado, frequentemente em unidades de dador único ou unidades de mistura (pools).


Como é que o Crioprecipitado ajuda geralmente o organismo?

O objetivo geral do Crioprecipitado é aumentar de forma rápida e direta a capacidade de coagulação do corpo através do fornecimento de materiais estruturais concentrados. Atua fornecendo níveis elevados de Fibrinogénio diretamente na corrente sanguínea, o qual fica imediatamente disponível para ser convertido em Fibrina — a rede fibrosa e resistente que forma a estrutura de um coágulo sanguíneo duradouro. Esta entrega direcionada de fatores de coagulação concentrados proporciona um suporte fisiológico crucial, ajudando a reverter ou a corrigir deficiências graves e fortalecendo o processo global de coagulação.

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Quais efeitos secundários são possíveis com Cryoprecipitate?

Possíveis efeitos secundários e informações de segurança

O perfil de segurança do Crioprecipitado, um produto derivado de plasma humano, é definido principalmente pelos riscos gerais associados à transfusão de componentes sanguíneos alogénicos. A frequência específica da maioria das reações não está definida nem categorizada, uma vez que estas constituem complicações conhecidas do procedimento e não efeitos do fármaco dependentes da dose.

As reações adversas são agrupadas pelo sistema afetado e podem incluir reações comuns, tais como reações alérgicas (como a urticária) e reações febris não hemolíticas.

Reações adversas graves que exigem uma observação clínica rigorosa incluem a Lesão Pulmonar Aguda Relacionada com a Transfusão (TRALI), a anafilaxia (reação alérgica grave) e a Sobrecarga Circulatória Associada à Transfusão (TACO). Podem também ocorrer reações séticas devido a contaminação bacteriana e a transmissão de agentes infecciosos (como vírus ou priões), apesar do rastreio abrangente dos dadores.

As restrições de segurança especificam que o produto não deve ser utilizado para deficiências isoladas de fatores (Fator VIII, vWF, Fator XIII) se estiverem disponíveis concentrados de fatores específicos. Além disso, existem considerações específicas para certas populações: doentes com compromisso cardíaco ou renal apresentam um risco acrescido de complicações relacionadas com o volume, como a TACO. A administração rápida ou massiva pode estar associada a efeitos sistémicos, incluindo arritmias, hipercaliémia e hipocalcemia.

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Sobredosagem e resposta em caso de emergência

Sobredosagem e quando procurar ajuda

O perfil oficial relativo à sobredosagem de Crioprecipitado é definido pelas consequências fisiológicas da administração de um volume excessivo de fatores de coagulação concentrados. Os quadros de sobredosagem documentados centram-se na Sobrecarga Circulatória (sobrecarga de volume) e em achados laboratoriais de Hiperfibrinogenemia, que consiste num nível excessivo de Fibrinogénio no sangue, levando ao aumento da viscosidade sanguínea.

Os potenciais resultados graves são classificados como passíveis de colocar a vida em risco, devido ao desenvolvimento de um estado de hipercoagulabilidade. Esta condição acarreta um risco específico de Eventos Tromboembólicos e, devido à carga de volume, de Descompensação Cardíaca Aguda. Os doentes com compromisso cardíaco ou renal pré-existente apresentam uma suscetibilidade acrescida ao risco circulatório relacionado com a sobredosagem.

As orientações determinam explicitamente que deve ser procurada assistência médica imediata se o doente apresentar qualquer sinal indicativo de compromisso circulatório ou de complicações tromboembólicas. A resposta oficial exigida perante estas situações é a interrupção da infusão ou a redução da velocidade de administração. Além disso, está documentado que não se conhece qualquer antídoto farmacológico específico para a administração excessiva de fatores, o que torna a monitorização laboratorial rigorosa dos parâmetros de coagulação e os cuidados de suporte sintomático as principais medidas de gestão.

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Usos terapêuticos de Cryoprecipitate

O que o Crioprecipitado trata: principais utilizações e benefícios

O Crioprecipitado é um componente sanguíneo administrado para ajudar no controlo de hemorragias através do fornecimento de fatores de coagulação específicos. O seu principal papel terapêutico envolve a suplementação dos níveis de fibrinogénio — uma proteína essencial envolvida na formação de coágulos sanguíneos.

Factos Rápidos

  • Atua em hemorragias associadas a níveis significativamente baixos de fibrinogénio (hipofibrinogenemia).
  • Apoia a hemostase (o processo que interrompe a hemorragia) em casos de hemorragia massiva ou deficiências adquiridas de fatores de coagulação.
  • Oferece substituição para a deficiência do Fator XIII.
  • Pode ser considerado para a gestão da doença de von Willebrand ou hemofilia A quando não estão disponíveis concentrados de fatores específicos e mais direcionados.

Este componente é geralmente utilizado em contextos clínicos como durante procedimentos cirúrgicos de grande porte, após traumatismos graves ou em casos de perda de sangue massiva, para apoiar a capacidade do organismo de formar coágulos estáveis e ajudar a reduzir a perda de sangue. As orientações clínicas atuais enfatizam frequentemente a sua utilização para a restauração do fibrinogénio no contexto de coagulopatia adquirida.

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Critérios de utilização e restrições

Quem pode e quem não pode utilizar o Crioprecipitado?

A elegibilidade para receber Crioprecipitado é determinada por diretrizes reguladoras que se focam nas deficiências específicas de fatores de coagulação do doente, particularmente nos níveis de fibrinogénio, e na disponibilidade de tratamentos alternativos. Este componente sanguíneo está estabelecido para utilização tanto em adultos como em doentes pediátricos que apresentem hemorragia ativa e necessitem de reposição de fibrinogénio.


Limitações Oficiais de Elegibilidade

Classificação População/Condição Estatuto Regulador
Uso Estabelecido Adultos e crianças com hipofibrinogenemia Permitido
Contraindicação Absoluta Histórico de hipersensibilidade a psoralenos (apenas para Crioprecipitado com redução de agentes patogénicos) Proibido
Uso Condicional Doentes com deficiência isolada de Fator VIII, vWF ou Fator XIII Não recomendado se estiverem disponíveis concentrados purificados
Uso Condicional Doentes sem hemorragia ativa ou que não vão ser submetidos a um procedimento invasivo Não indicado para uso profilático de rotina

A utilização não é recomendada para o tratamento de deficiências isoladas de Fator VIII, fator de von Willebrand ou Fator XIII quando existem concentrados de fatores purificados específicos prontamente disponíveis, uma vez que estes constituem o padrão de cuidados preferencial. Condições como o compromisso hepático ou renal não proíbem a utilização, e o Crioprecipitado pode ser considerado para gerir problemas de coagulação associados a estas patologias. A elegibilidade durante a gravidez e a lactação baseia-se geralmente na necessidade clínica materna aguda, uma vez que não estão especificadas contraindicações reguladoras universais.

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O que devo saber sobre interações com outros medicamentos?

Interações com outros medicamentos e produtos

O perfil oficial de interações do Crioprecipitado, um produto derivado do plasma humano, é definido pela compatibilidade na administração e não por interações farmacocinéticas sistémicas. Não existem interações medicamentosas sistémicas conhecidas — sejam elas graves, moderadas ou ligeiras — que envolvam enzimas metabólicas comuns (CYP) ou transportadores de fármacos documentados na informação disponível.

Limitações de Administração e Compatibilidade

A principal restrição observada na informação de prescrição refere-se a limitações procedimentais de administração. A co-administração de qualquer medicamento ou fluido que não seja cloreto de sódio a 0,9% (soro fisiológico) através da mesma linha de administração intravenosa é restrita e não deve ser realizada em simultâneo. Este requisito obrigatório exige uma separação temporal rigorosa de quase todas as outras soluções intravenosas para manter a integridade do produto. Esta restrição é de natureza procedimental e não se baseia numa alteração farmacológica da concentração do fármaco no plasma.

Outros Estados de Interação

No que respeita às interações farmacocinéticas, não estão documentadas interações metabólicas sistémicas ou baseadas em transportadores nas fontes oficiais. Relativamente a interações com substâncias não medicinais, não existem registos de interações específicas com alimentos, álcool, suplementos ou produtos à base de plantas.

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Mecanismo de ação

O Crioprecipitado é uma fração de plasma alogénica que atua através da reposição de fatores específicos na cascata de coagulação e nas vias de adesão celular. O seu mecanismo principal centra-se na elevada concentração de Fibrinogénio (Fator I), que é o seu principal alvo biológico. O fibrinogénio é uma glicoproteína solúvel que serve de substrato para a Trombina (Fator IIa). Através de um processo de proteólise mediado pela trombina, o fibrinogénio é convertido em monómeros de Fibrina insolúveis. Estes monómeros posteriormente auto-agrupam-se e são unidos por ligações cruzadas pelo Fator XIIIa (fator estabilizador da fibrina ativado), resultando numa estrutura estável de polímeros de fibrina. Esta polimerização é a cascata mecânica essencial para alcançar a hemostase fisiológica.

Adicionalmente, esta fração contém níveis concentrados de Fator VIII e de Fator de von Willebrand (vWF). O Fator VIII é um cofator necessário para a ativação do Fator X pelo Fator IXa dentro da via intrínseca. O fator de von Willebrand modula a adesão das plaquetas ao subendotélio ao ligar-se ao recetor da Glicoproteína Ib na superfície plaquetária, iniciando processos celulares essenciais para a formação do coágulo. A consequência fisiológica global é o aumento localizado da concentração destes fatores de coagulação necessários, impulsionando a cinética das vias intrínseca e comum da coagulação.

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Informações sobre dosagem e administração

Como utilizar o Crioprecipitado

O Crioprecipitado é administrado exclusivamente por infusão intravenosa (IV) num ambiente clínico supervisionado. O protocolo de utilização é altamente procedimental, sendo definido por objetivos laboratoriais específicos e requisitos rigorosos de tempo estabelecidos por normas reguladoras.


Protocolo de Administração e Intervalos de Dosagem

Categoria Princípio de Utilização Oficial
Via e Conteúdo da Unidade A administração é realizada via infusão IV. Cada unidade de dador único deve conter um mínimo de 150 mg de Fibrinogénio e 80 UI de Fator VIII.
Esquema Posológico A dosagem é tipicamente baseada no peso, calculada como 1 unidade por cada 5 a 10 kg de peso corporal para a dose inicial em adultos, que consiste habitualmente num conjunto (pool) de 10 unidades. A repetição da dose é determinada por monitorização laboratorial frequente para manter uma concentração alvo de fibrinogénio, frequentemente definida em 100 mg/dL ou superior.
Dosagem Pediátrica A dose típica para crianças é de 1 unidade por cada 10 kg de peso corporal ou 5 a 10 mL/kg. Em recém-nascidos, é preferível a utilização de crioprecipitado ABO-compatível.

Preparação e Condicionalismos Procedimentais

Categoria Condições do Procedimento
Requisitos de Preparação O produto deve ser descongelado entre 30 °C e 37 °C imediatamente antes da utilização; as unidades descongeladas não podem ser novamente congeladas.
Limitação da Infusão Toda a transfusão deve ser iniciada de imediato e concluída num prazo de 4 horas após o descongelamento ou a mistura (pooling).
Manuseamento Especial A administração requer um sistema de transfusão de sangue padrão com filtro (170 a 260 µm). Geralmente, apenas o cloreto de sódio a 0,9% é permitido para administração simultânea.

A utilização do Crioprecipitado está estruturada como uma terapêutica de substituição aguda e de curto prazo, ditada pela necessidade clínica em vez de um regime fixo. A natureza crítica do tempo de preparação e da janela de infusão, a par da dosagem baseada no peso e em parâmetros laboratoriais, define a abordagem padronizada para o seu uso aprovado.

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Evidência clínica recente

O crioprecipitado é um produto sanguíneo que a investigação tem analisado pela sua utilização como fonte concentrada de fatores de coagulação, principalmente o fibrinogénio, em diversas situações de hemorragia. A evidência disponível provém de uma combinação de grandes Ensaios Clínicos Controlados e Aleatorizados (ECCA), estudos observacionais de menor dimensão e registos históricos, com a maior parte da investigação moderna focada em hemorragias agudas potencialmente fatais.

Evidência na Utilização em Hemorragias Graves e Trauma (Hipofibrinogenemia Adquirida)

A investigação tem explorado prioritariamente a utilização deste produto em doentes com perda massiva de sangue, particularmente após traumatismos graves ou durante cirurgias cardíacas complexas. Os estudos analisaram a administração de crioprecipitado e esta foi avaliada em relação aos resultados clínicos dos doentes. A investigação examinou vários desfechos críticos, incluindo a mortalidade por todas as causas, que foi avaliada num período intermédio de 28 dias.

Estudos reportaram medições que indicam um aumento dos níveis de fibrinogénio dos doentes após a administração do produto nas populações observadas. No entanto, os dados relativos a desfechos principais, como a sobrevivência, têm sido inconsistentes. Alguns grandes ECCA que analisaram a utilização precoce de crioprecipitado no trauma não reportaram qualquer diferença na mortalidade aos 28 dias quando comparada com os protocolos de tratamento padrão. A investigação sugere que as diferenças no desenho dos estudos e nas circunstâncias dos doentes podem estar associadas a resultados variáveis.

Principais Limitações e Incertezas na Investigação

Um desafio fundamental na interpretação da evidência é a variabilidade no conteúdo de fibrinogénio do produto por unidade, algo que é inerente aos produtos derivados do sangue. Esta falta de padronização é referida pelos investigadores como um fator na forma como os resultados dos estudos são comparados entre diferentes centros. Além disso, a evidência foca-se essencialmente em desfechos de curto prazo (24 horas a 28 dias). Os efeitos a longo prazo e a recuperação dos doentes para além dos 12 meses não estão totalmente estabelecidos. Para deficiências hereditárias raras, como a Deficiência Congénita de Fibrinogénio, a investigação deriva largamente de dados históricos.

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Perguntas frequentes (FAQ)

Perguntas frequentes sobre o Crioprecipitado (FAQ)


P: Qual é a origem do produto Crioprecipitado?

O Crioprecipitado é um componente sanguíneo especializado derivado exclusivamente de plasma humano doado. Este plasma é separado do sangue total colhido de dadores e, posteriormente, processado para se obter o componente concentrado final, de acordo com diretrizes rigorosas.


P: Quais são as reações adversas mais comuns a uma transfusão de Crioprecipitado?

A documentação oficial reporta que as reações adversas comuns associadas à transfusão deste tipo de componente sanguíneo incluem reações alérgicas, como a urticária, e reações febris não hemolíticas, que envolvem febre.


P: Existe risco de febre após uma transfusão de Crioprecipitado?

Sim, observa-se a possibilidade de reações febris não hemolíticas após a transfusão, o que significa que pode ocorrer febre. Esta é uma complicação geral reconhecida da receção de componentes sanguíneos.


P: O que é a Sobrecarga Circulatória Associada à Transfusão (TACO) em relação a este produto?

A TACO é descrita como uma complicação grave de qualquer transfusão, relacionada com o volume. Doentes com compromisso cardíaco ou renal pré-existente apresentam um risco acrescido desta complicação.


P: Qual é a diferença de volume entre uma unidade de Crioprecipitado e uma de Plasma Fresco Congelado (PFC)?

O Crioprecipitado foi concebido para ser altamente concentrado. Contém os principais fatores de coagulação num volume significativamente menor (geralmente 10 a 25 mL por unidade) em comparação com o volume do Plasma Fresco Congelado do qual é derivado. Isto facilita a administração dos fatores necessários sem um acréscimo significativo de fluidos.


P: É verdade que os componentes principais do Crioprecipitado podem variar entre unidades?

Sim, uma vez que este produto é derivado de plasma humano doado, a concentração dos fatores, particularmente do fibrinogénio, pode variar ligeiramente entre unidades individuais. Esta falta de padronização é uma característica conhecida do produto.


P: Porque é que o Crioprecipitado é, por vezes, preparado a partir do plasma de dadores masculinos?

O Crioprecipitado está associado ao risco de uma complicação grave chamada Lesão Pulmonar Aguda Relacionada com a Transfusão (TRALI). As diretrizes para o rastreio de dadores podem considerar o género do dador na preparação do produto para ajudar a mitigar este risco.


P: Que fatores são considerados ao determinar quem é elegível para receber Crioprecipitado?

A elegibilidade é determinada por diretrizes oficiais. Os principais fatores considerados são as deficiências específicas de fatores de coagulação do doente, especialmente os níveis de fibrinogénio, e se estão disponíveis outros concentrados de fatores mais específicos para tratar a condição.


P: O Crioprecipitado pode ser administrado a crianças e recém-nascidos?

Sim, o produto está estabelecido para utilização tanto em adultos como em doentes pediátricos. As diretrizes de dosagem descrevem intervalos específicos baseados no peso para crianças, e a utilização de um produto ABO-compatível é preferível para recém-nascidos.


P: Porque é que o fibrinogénio é medido antes da administração de Crioprecipitado?

O Crioprecipitado é utilizado principalmente para restaurar os níveis de fibrinogénio. A dosagem é frequentemente orientada por uma monitorização laboratorial frequente para manter uma concentração alvo de fibrinogénio, conforme estabelecido pelos protocolos clínicos.


P: O Crioprecipitado é um tipo de transfusão de sangue total?

Não. O Crioprecipitado é classificado como um componente sanguíneo especializado ou uma fração plasmática. Contém principalmente fatores de coagulação específicos e proteínas isoladas do plasma.


P: Porque é que o Crioprecipitado é necessário para algumas condições hemorrágicas?

A sua utilização é indicada porque contém uma quantidade altamente concentrada de fatores de coagulação essenciais, como o Fibrinogénio e o Fator XIII. Ao repor estes fatores, fornece os materiais estruturais necessários para formar um coágulo sanguíneo estável (hemostase).


P: Com que rapidez é que o Crioprecipitado começa a atuar após uma transfusão?

O produto contém fatores de coagulação concentrados que estão imediatamente disponíveis para o organismo reforçar o processo de coagulação logo após o início da administração.


P: Quanto tempo dura normalmente o efeito de uma transfusão de Crioprecipitado?

A utilização do Crioprecipitado está estruturada como uma terapia de substituição aguda e de curto prazo. A vida útil dos fatores transfundidos pode ser muito curta, sendo a avaliação clínica utilizada para determinar a necessidade de tratamento adicional.


P: O Crioprecipitado requer um tipo de sangue específico (compatibilidade ABO)?

Geralmente, não é necessária a correspondência do grupo sanguíneo ABO para a transfusão de Crioprecipitado. No entanto, prefere-se a utilização de um produto ABO-compatível quando administrado a recém-nascidos.


P: É necessária a compatibilidade do fator Rh para o Crioprecipitado?

As diretrizes estabelecem que a compatibilidade do fator Rh não é necessária, uma vez que os antigénios Rh se encontram apenas nos glóbulos vermelhos, que não são um componente significativo deste produto.


P: Porque é que as unidades de Crioprecipitado são frequentemente agrupadas (pooled)?

As unidades são frequentemente agrupadas (pooled) num sistema controlado para permitir a administração de uma dose terapêutica suficiente num único procedimento, dado que uma unidade individual não contém normalmente fatores suficientes para a dose de um adulto.


P: O Crioprecipitado pode ser utilizado para reverter os efeitos de anticoagulantes como a Varfarina?

O seu propósito é repor fatores de coagulação específicos, principalmente o fibrinogénio, em doentes com deficiências. O produto não é indicado prioritariamente para a reversão rotineira dos efeitos de anticoagulantes específicos.


P: Porque é que o Crioprecipitado é descrito como um produto "concentrado"?

É descrito como concentrado porque os principais fatores de coagulação são isolados e suspensos num volume de plasma muito menor do que o plasma original, permitindo uma entrega eficiente com menos volume de fluidos.


P: O Crioprecipitado é utilizado quando existe uma doença hepática a causar problemas de coagulação?

Condições como o compromisso hepático geralmente não proíbem a utilização, podendo o produto ser utilizado para gerir problemas de coagulação associados a estas patologias.


P: O Crioprecipitado é alguma vez utilizado para tratar a hemorragia urémica (hemorragia relacionada com a insuficiência renal)?

A utilização deste produto pode ser considerada para a hemorragia urémica após terem sido consideradas outras modalidades de tratamento ou se for necessária a reposição de fibrinogénio.


P: Que tipo de investigação está a ser realizada sobre a eficácia do Crioprecipitado?

A investigação tem-se focado principalmente na sua utilização em situações de hemorragia massiva, como trauma grave ou cirurgia cardíaca, analisando desfechos como a mortalidade aos 28 dias.


P: Existe debate científico sobre a melhor forma de utilizar o Crioprecipitado?

A literatura observa que a evidência para desfechos principais, como a sobrevivência, tem sido inconsistente. Um desafio fundamental é a variabilidade no conteúdo do produto entre diferentes lotes.


P: É verdade que o Crioprecipitado é menos utilizado em alguns países?

Em algumas regiões, os Concentrados de Fibrinogénio purificados são preferidos como alternativas, o que está associado a uma utilização rotineira mais limitada do Crioprecipitado nessas localizações.


P: Qual é o risco de contrair uma infeção através de uma transfusão de Crioprecipitado?

Existe o risco de transmissão de agentes infeciosos (como vírus), apesar do rastreio abrangente dos dadores. No entanto, os processos modernos reduziram significativamente este risco residual inerente a todas as transfusões.


P: O uso de Crioprecipitado aumenta o risco de um coágulo sanguíneo (evento trombótico)?

Os eventos tromboembólicos são uma complicação potencial. A monitorização dos níveis de fibrinogénio é realizada para ajudar a prevenir níveis excessivos que possam aumentar este risco.


P: O Crioprecipitado é o mesmo que o Concentrado de Fibrinogénio?

Não. Os Concentrados de Fibrinogénio purificados existem como alternativas separadas. O Crioprecipitado é um produto combinado que contém múltiplos fatores numa quantidade não padronizada.

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Como Cryoprecipitate deve ser armazenado e descartado?

Requisitos de Conservação e Eliminação do Crioprecipitado

O Crioprecipitado, enquanto produto sanguíneo fracionado, está sujeito a requisitos reguladores rigorosos de conservação e manuseamento para manter a sua integridade terapêutica.

Fase de Conservação Requisito de Temperatura Estabilidade / Tempo de Utilização
Conservação Congelada -18 °C ou inferior Geralmente até 1 ano
Descongelado / Em Uso 20 °C a 24 °C 4 a 6 horas após o descongelamento ou pooling

O produto não deve ser novamente congelado após o descongelamento inicial. O recipiente final deve ser inspecionado visualmente para garantir a sua integridade antes da utilização. Qualquer produto não utilizado, com validade expirada ou contaminado, juntamente com o respetivo recipiente, deve ser tratado e eliminado como resíduo hospitalar de risco biológico, em conformidade com os regulamentos de saúde locais e nacionais. Dado que este produto é administrado exclusivamente em ambiente clínico, as advertências de segurança sobre a conservação fora do alcance das crianças não são habitualmente incluídas no rótulo.

Atenção! Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de usar pílulas ou medicamentos.

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