Thalidomide

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Thalidomide

Revisão médica

Marina Burgos

Última atualização 10/01/2026

Esta página fornece informações gerais e de referência compiladas a partir de fontes médicas oficiais. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Para decisões sobre a sua saúde, consulte um profissional de saúde qualificado.

Visão geral de Thalidomide

O que é a Talidomida?

A talidomida é um potente derivado sintético categorizado principalmente como um Agente Imunomodulador e um Agente Antineoplásico, o que significa que possui a capacidade de modificar as respostas do sistema imunitário do organismo e de inibir o crescimento de certas células anómalas. É administrada por via oral sob a forma de cápsula e a sua utilização moderna representa um esforço significativo de reposicionamento de fármacos, indo além do seu papel histórico como sedativo.

Propriedade Descrição
Princípio Ativo Talidomida (C13H10N2O4)
Forma Cápsula
Classe Farmacológica Agente Imunomodulador, Agente Antineoplásico
Origem Derivado sintético
Estrutura Molecular Mistura racémica dos enantiómeros S(−) e R(+)

Que Tipo de Fármaco é a Talidomida? (Classificação, Origem e Propósito)

A talidomida é um membro fundamental de um grupo conhecido como Fármacos Imunomoduladores Imídicos (IMiDs), que se distinguem pelo seu efeito direcionado em processos celulares. Este medicamento é reconhecido pela sua capacidade de ajudar a reequilibrar o sistema imunitário e de reduzir o inchaço e a irritação crónica de uma forma sistémica.

Ao contrário de imunossupressores mais antigos e de ação alargada, este composto atua modulando várias células imunitárias e moléculas de sinalização, o que ajuda a regular respostas imunitárias persistentes e inadequadas no corpo. O seu propósito terapêutico geral baseia-se na sua propriedade anti-inflamatória e na sua potente propriedade antiangiogénica, permitindo atenuar a inflamação crónica enquanto restringe, em simultâneo, o desenvolvimento de novos vasos sanguíneos necessários para sustentar ambientes celulares problemáticos.


Composição e Forma: O Princípio Ativo

O medicamento é um produto de ingrediente único que contém o princípio ativo talidomida (C13H10N2O4), um derivado do ácido glutâmico tomado por via oral. A medicação é fornecida exclusivamente como uma cápsula, um fator definidor que garante uma entrega sistémica precisa e controlada. Contém o composto ativo como uma mistura racémica das suas duas formas de imagem especular, o enantiómero S(−) e o enantiómero R(+). Esta estrutura química precisa é vital, pois rege a ligação altamente específica do fármaco à proteína Cereblon (CRBN), que é central para as suas complexas ações fisiológicas, incluindo a inibição da produção do Fator de Necrose Tumoral alfa (TNF-α).

Quais efeitos secundários são possíveis com Thalidomide?

Possíveis Efeitos Secundários e Informações de Segurança

A talidomida está associada a um perfil de segurança específico que é rigorosamente regulado por organismos oficiais devido à gravidade de certos riscos. A consideração de segurança mais crítica é a classificação do fármaco como um potente teratogénio humano, que acarreta um risco extremamente elevado de causar anomalias congénitas graves e potencialmente fatais ou a morte embrio-fetal se for administrado durante a gravidez, mesmo numa dose única. Consequentemente, a sua utilização é gerida através de um sistema especial de distribuição restrita.

O medicamento está também associado a um risco significativo de tromboembolismo venoso e arterial, o que inclui eventos graves como a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar. Sabe-se que este risco aumenta significativamente quando a talidomida é utilizada em combinação com outros agentes, como a dexametasona, e pode levar a eventos cardiovasculares graves, como o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral.

Reações Adversas por Frequência e Sistema

As classificações de segurança são consistentes com as normas regulamentares oficiais.

As Reações Muito Comuns (≥ 1/10) incluem distúrbios do sistema nervoso, tais como neuropatia periférica, tremor, tonturas e sonolência. Efeitos no sistema sanguíneo, como neutropenia, leucopenia e anemia, são também classificados como muito comuns. Outros efeitos muito comuns incluem a obstipação e o edema periférico.

A neuropatia periférica está habitualmente associada à utilização crónica, embora o seu início possa ser tardio ou ocorrer após uma exposição de curto prazo, e os sintomas podem ser irreversíveis.

Considerações de Segurança para Populações Específicas

Este medicamento é absolutamente contraindicado em mulheres grávidas. Os homens com potencial reprodutivo devem aderir a precauções rigorosas, uma vez que a talidomida é detetada no sémen. Os adultos seniores podem registar uma incidência mais elevada de certas reações adversas, incluindo tromboembolismo e obstipação. Para doentes com comprometimento da função renal ou hepática, é necessária uma monitorização cuidadosa das reações adversas, especialmente em casos de insuficiência orgânica grave.

Sobredosagem e resposta em caso de emergência

Sobredosagem e quando procurar ajuda

As informações oficiais descrevem os achados clínicos e as ações necessárias em caso de sobredosagem com talidomida, a qual é gerida com base na inexistência de um antídoto específico e na gravidade dos potenciais resultados.

Manifestações documentadas de sobredosagem

A ingestão ou exposição excessiva podem resultar em depressão do sistema nervoso central. As manifestações clínicas documentadas de toxicidade aguda incluem sonolência e letargia, podendo progredir, em casos graves, para obtundação, estupor ou coma. Outros efeitos relacionados com a dose incluem neuropatia periférica e obstipação.

Ação de emergência necessária

É necessária assistência médica imediata em dois cenários principais:

  • Exposição fetal suspeita: O risco de toxicidade embriofetal é crítico. Qualquer suspeita de gravidez ou de exposição fetal, mesmo após uma única dose, exige a interrupção imediata do medicamento e reporte médico urgente.
  • Sintomas graves: Deve-se procurar ajuda médica imediata se ocorrerem sinais de tromboembolismo (como dor no peito ou inchaço nos membros) ou sintomas graves do sistema nervoso central, como estupor.

Protocolo de gestão

Não se conhece nenhum antídoto específico para a sobredosagem com talidomida. O tratamento é designado como sendo puramente sintomático e de suporte. Pode ser necessária monitorização hospitalar para gerir manifestações graves, tais como sonolência de grau 3 ou estupor, que normalmente exigem a suspensão temporária do medicamento.

Usos terapêuticos de Thalidomide

A talidomida é frequentemente utilizada em áreas terapêuticas onde tanto a proliferação celular desregulada como as respostas imunitárias graves e desadequadas criam uma sobrecarga fisiológica percetível. Este fármaco é relevante em contextos que envolvem uma elevada carga sistémica, sendo o seu objetivo terapêutico global abordar condições marcadas por um aumento do stress fisiológico.


Facto Rápido: Alívio para Inflamação Grave
A talidomida é habitualmente utilizada para auxiliar nos sintomas de moderados a graves de Eritema Nodoso Leproso (ENL), apoiando os doentes através da redução da carga sintomática global associada a episódios agudos e dolorosos.

Gestão do Mieloma Múltiplo e do Crescimento de Células Malignas

Este medicamento é central na gestão do Mieloma Múltiplo, um cancro caracterizado pelo crescimento de plasmócitos anormais. É utilizado para ajudar a abrandar a proliferação destas células malignas, o que pode auxiliar na gestão do processo da doença e contribui para a manutenção de uma sensação de estabilidade durante o curso do cancro, frequentemente como parte de um regime de vários fármacos em doentes recém-diagnosticados. Esta utilização apoia o doente na abordagem da carga sintomática global relacionada com a patologia maligna.

Supressão de Sintomas Inflamatórios Graves (Eritema Nodoso Leproso)

A talidomida oferece um apoio direcionado para sintomas resultantes de respostas imunitárias persistentes e descontroladas. A sua utilização mais estabelecida é o tratamento agudo e a terapia de manutenção para sintomas de moderados a graves de Eritema Nodoso Leproso (ENL), uma complicação inflamatória da lepra. A aplicação é relevante para atenuar lesões agudas e dolorosas e para auxiliar na gestão de recorrências.

Critérios de utilização e restrições

Quem Pode e Quem Não Pode Utilizar Talidomida?

A elegibilidade para o uso de talidomida é definida por controlos regulamentares rigorosos, principalmente devido à proibição absoluta da sua utilização durante a gravidez.

Populações Excluídas ou com Utilização Restrita

Classificação Grupo Populacional Estatuto
Contraindicação Absoluta Mulheres grávidas NÃO podem utilizar
Contraindicação Absoluta Hipersensibilidade conhecida à talidomida NÃO podem utilizar
Utilização Condicional Mulheres com potencial reprodutivo A utilização é RESTRITA; é obrigatório o cumprimento de um Programa de Prevenção da Gravidez (PPP/REMS), incluindo a utilização de dois métodos contracetivos eficazes e a realização frequente de testes de gravidez.
Utilização Condicional Homens sexualmente maturos A utilização é RESTRITA; devem estar inscritos no programa PPP/REMS e utilizar métodos contracetivos de barreira quando mantenham atividade sexual com mulheres com potencial reprodutivo.
Iniciação Proibida Doentes com ANC < 750/mm³ O tratamento NÃO DEVE ser iniciado abaixo deste limiar hematológico.
Não Recomendado Mulheres a amamentar A recomendação é a DESCONTINUAÇÃO da amamentação durante o tratamento.

A elegibilidade é geralmente estabelecida para adultos com as patologias indicadas, tais como o Mieloma Múltiplo e o Eritema Nodoso Leproso. A utilização na população pediátrica não é relevante para o Mieloma Múltiplo, e os doentes com insuficiência renal ou hepática requerem uma monitorização rigorosa, uma vez que não estão formalmente estabelecidas recomendações posológicas específicas para estes casos.

O que devo saber sobre interações com outros medicamentos?

Interações com outros medicamentos e produtos

As informações regulamentares oficiais relativas às interações da talidomida focam-se principalmente nos riscos farmacodinâmicos e em restrições populacionais rigorosas. A talidomida é reconhecida oficialmente por possuir um perfil farmacocinético neutro no que respeita às principais enzimas do citocromo P450 (CYP) e à glicoproteína-P (P-gp), o que significa que não se espera que cause interações medicamentosas metabólicas significativas.

Padrões de Interação Documentados

Tipo de Interação Substância ou Classe Interatua Declaração Oficial de Interação
Depressão Aditiva do SNC Agentes sedativos, Opioides, Álcool A coadministração pode causar sonolência aditiva e entorpecimento.
Risco de Toxicidade Aditiva Agentes quimioterápicos, Contracetivos hormonais Risco aumentado de Tromboembolismo Venoso (TEV) quando combinados.
Interferência na Coagulação Varfarina / Anticoagulantes Cumarínicos Requer uma monitorização rigorosa do INR devido a potenciais flutuações no efeito anticoagulante.
Aumento da Carga Viral Doentes seropositivos (VIH) Associada a um aumento dos níveis plasmáticos de ARN do VIH; é necessária monitorização.

Restrições Regulamentares

A restrição de interação mais rigorosa é a contraindicação absoluta com a gravidez, devido à sua grave teratogenicidade, o que exige que as mulheres com potencial de engravidar utilizem dois métodos contracetivos eficazes. Além disso, a talidomida está contraindicada para utilização com Pembrolizumab e Dexametasona em determinados contextos, devido ao aumento documentado da mortalidade.

Mecanismo de ação

Como Funciona a Talidomida

A talidomida exerce os seus efeitos biológicos através de múltiplos domínios mecanísticos interligados, o que resulta na modulação a jusante da função biológica.


Modulação da Sinalização das Células Imunitárias

A talidomida atua em domínios que envolvem a sinalização mediada por enzimas, ligando-se à ligase de ubiquitina E3 cereblon (CRBN), um componente do complexo CUL4-DDB1-CRBN. Esta interação inicia ou suprime sequências de sinalização que modificam as etapas moleculares iniciais da ativação das células T e células B, influenciando a ativação e o funcionamento subsequentes das células imunitárias.


Alteração da Produção de Citocinas Pró-inflamatórias

O fármaco envolve mecanismos que regulam processos inflamatórios desregulados, afetando especificamente sistemas onde predominam mediadores como o Fator de Necrose Tumoral alfa (TNF-alfa). A talidomida modifica a via de degradação do mRNA do TNF-alfa, o que reduz a concentração circulante de mediadores específicos e altera o equilíbrio entre a sinalização pró-inflamatória e anti-inflamatória.


Supressão da Sinalização da Angiogénese

A talidomida modifica cascatas onde ocorrem múltiplas camadas de ativação de vias, inibindo a proliferação e a migração das células endoteliais. Este mecanismo resulta na inibição da formação de novas redes vasculares através da supressão da sinalização das células endoteliais.

Informações sobre dosagem e administração

Como utilizar a Talidomida

A administração da talidomida está estritamente estruturada em torno da via oral única aprovada, exigindo que o medicamento seja tomado sob a forma de cápsula. A cápsula deve ser engolida inteira com água e não deve ser aberta, esmagada ou mastigada. A administração é tipicamente feita uma vez por dia e é habitualmente recomendado que a toma ocorra ao deitar, independentemente das refeições, para ajudar a gerir o momento dos efeitos.

A dosagem é específica para a condição clínica a ser tratada. No caso do Mieloma Múltiplo, a dose inicial é frequentemente de 200 mg por dia, quando utilizada como parte de um regime combinado que segue um ciclo de tratamento de 28 dias. Para o tratamento agudo do Eritema Nodoso Leproso (ENL), a dose inicial diária habitual varia entre 100 mg e 300 mg, podendo atingir os 400 mg por dia em reações graves, sendo por vezes administrada em doses divididas.

A utilização no ENL é seguida por um processo de redução gradual, em que a dose é diminuída progressivamente após a reação estar controlada. Em contraste, a terapia de manutenção visa a dose mínima eficaz para controlar a recorrência. Algumas populações apresentam considerações específicas: para adultos seniores (por exemplo, com mais de 75 anos), pode ser considerada uma dose inicial mais baixa, como 100 mg por dia, de acordo com certas diretrizes regulamentares. Caso uma dose diária seja esquecida, esta deve ser tomada na mesma noite se tiverem passado menos de 12 horas; caso contrário, a dose deve ser ignorada. A dispensa e a utilização são geridas ao abrigo de um programa de Estratégia de Avaliação e Mitigação de Riscos (REMS) ou de um programa regulamentar equivalente.

Evidência clínica recente

Evidência de Investigação / Visão Geral dos Estudos sobre a Talidomida

A investigação que explora a talidomida para o Mieloma Múltiplo (MM) baseia-se primordialmente em inúmeros Ensaios Controlados Aleatorizados (ECA) e Meta-análises. Estes estudos examinaram a talidomida em combinação com outros tratamentos, comparando-os com regimes padrão. Os principais resultados monitorizados foram indicadores de longo prazo, como a Sobrevivência Global (SG) e a Sobrevivência Livre de Progressão (SLP), bem como a Taxa de Resposta Global (TRG). As meta-análises sugerem que a combinação da talidomida com outras terapêuticas apresentou, nos estudos, padrões relacionados com diferenças nas medições de SG e SLP, particularmente em adultos mais velhos ou naqueles inelegíveis para tratamentos intensivos, como o transplante de células estaminais. A investigação também explorou os resultados medidos em doentes com base em fatores genéticos, observando que os padrões dos achados podem alinhar-se de forma diferente dependendo das características da doença.

A talidomida também foi estudada para o Eritema Nodoso Leproso (ENL), uma condição caracterizada por sintomas flutuantes. A base de evidência neste âmbito consiste principalmente em Estudos Controlados mais antigos e Estudos Abertos que se focaram em alterações de curto prazo nos sintomas. A investigação monitorizou resultados relacionados com o desconforto físico através da medição da resolução de lesões cutâneas agudas. Os estudos observaram um padrão de alteração nestes sintomas medidos ao longo de intervalos de tempo curtos em comparação com grupos de controlo, mas notou-se que os sintomas recorrem após o fim do período do estudo.

Para ambas as condições, o grau de certeza permanece baixo em várias áreas fundamentais. A literatura existente fornece informações limitadas sobre resultados a longo prazo para além da sobrevivência, e o impacto na qualidade de vida global não está totalmente estabelecido. A evidência para certos grupos permanece insuficiente: a população foi excluída dos estudos devido a fatores de segurança significativos e a talidomida não foi estudada em mulheres grávidas. Os dados para doentes pediátricos são muito limitados, contribuindo de forma mínima para o panorama geral da evidência.

Perguntas frequentes (FAQ)

Perguntas frequentes sobre a Talidomida (FAQ)


P: Por que razão a talidomida é descrita com um aviso de segurança tão grave?

A talidomida possui um Aviso de Advertência de Caixa, que é o alerta de segurança mais forte exigido pelas agências reguladoras. Este aviso deve-se a dois riscos sérios: o risco extremamente elevado de causar defeitos congénitos graves (teratogenicidade) e um risco significativo de desenvolvimento de coágulos sanguíneos graves (tromboembolismo venoso ou TEV).


P: A talidomida pode causar danos permanentes nos nervos (neuropatia)?

As informações oficiais indicam que a neuropatia periférica (danos nos nervos) é um efeito secundário muito comum, especialmente com o uso prolongado. Os sintomas, que podem incluir dormência ou formigueiro, podem por vezes agravar-se mesmo com a continuação do tratamento e podem ser irreversíveis para algumas pessoas após a interrupção do medicamento.


P: É normal sentir tonturas ou cansaço após tomar talidomida?

Sim, sentir tonturas ou cansaço é considerado uma expectativa normal, uma vez que a sonolência e as tonturas/vertigens estão classificadas como efeitos secundários muito comuns. Por este motivo, as informações oficiais do produto descrevem frequentemente a administração ao deitar para ajudar a limitar o impacto da sonolência durante o dia.


P: A talidomida tem um efeito permanente ou é necessário continuar a tomá-la?

Os documentos regulamentares descrevem que o período de utilização no mieloma múltiplo continua, muitas vezes, até que a doença progrida. Para o Eritema Nodoso Leproso (ENL), o medicamento é descrito como sendo utilizado para tratamento agudo, seguindo-se uma redução gradual (conhecida como desmame) para uma dose de manutenção, de modo a ajudar a reduzir a probabilidade de os sintomas regressarem.


P: Os homens que tomam talidomida podem ter filhos?

Os documentos regulamentares exigem que os homens sigam rigorosamente o programa de segurança obrigatório (REMS/PPG) e utilizem métodos contracetivos de barreira, porque o fármaco está presente no sémen. As orientações oficiais afirmam que os doentes do sexo masculino não devem doar esperma durante o tratamento e por um período especificado após a interrupção do fármaco para evitar o risco de exposição.


P: A talidomida interage com as pílulas contracetivas hormonais?

Sim, os documentos regulamentares oficiais registam uma potencial interação. A utilização de talidomida em combinação com contracetivos hormonais pode aumentar o risco de desenvolver coágulos sanguíneos graves (Tromboembolismo Venoso ou TEV).


P: Qual é a diferença entre a talidomida e a lenalidomida?

A talidomida é o medicamento original de um grupo de fármacos conhecidos como Fármacos Imunomoduladores (IMiDs). Outros medicamentos utilizados para condições semelhantes, tais como a lenalidomida e a pomalidomida, são variações químicas (análogos) da talidomida que pertencem à mesma classe farmacológica.


P: Porque é que os médicos ainda prescrevem um fármaco que causou problemas históricos?

O medicamento é prescrito atualmente porque a investigação moderna confirmou que as suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras únicas podem tratar eficazmente certas doenças graves, como o mieloma múltiplo e o ENL. A sua utilização é agora estritamente controlada por programas obrigatórios de gestão de riscos (como o programa REMS/PPG) para prevenir os defeitos congénitos associados à sua utilização no passado.


P: Existem diferentes nomes comerciais para a talidomida?

Sim, talidomida é o nome da substância ativa. O nome comercial deste medicamento nos Estados Unidos é THALOMID, enquanto noutros países podem ser utilizados outros nomes comerciais.


P: Quais são os sinais comuns de um efeito secundário grave da talidomida?

Efeitos secundários graves, tais como um coágulo sanguíneo, podem apresentar sinais como dor, inchaço numa perna, falta de ar ou dor no peito. Sinais de danos nos nervos podem incluir dormência nova ou agravada, formigueiro ou dor nas mãos ou nos pés. Sinais como estes estão documentados nas informações oficiais de segurança e justificam frequentemente a procura de assistência médica.


P: De que forma a função da talidomida está relacionada com o sistema imunitário?

A talidomida é categorizada como um agente imunomodulador porque funciona ajudando a reequilibrar o sistema imunitário e a resposta inflamatória do organismo. Fá-lo ao afetar a função de certas células imunitárias e ao reduzir os níveis de substâncias inflamatórias, como o TNF-alfa.


P: É possível tornar-se dependente da talidomida?

A talidomida não está classificada como uma substância controlada com elevado potencial de abuso ou dependência nos documentos regulamentares modernos. A sua utilização atual foca-se no tratamento de doenças graves, em vez de atuar como um sedativo, que foi a sua aplicação original.


P: Como é monitorizada a segurança da talidomida após ser prescrita?

A segurança é monitorizada através de um programa de distribuição restrita obrigatório chamado REMS (Estratégia de Avaliação e Mitigação de Riscos) ou PPG. Este sistema assegura a monitorização do doente, limita o acesso ao fármaco e exige que todas as gravidezes confirmadas ou suspeitas sejam comunicadas imediatamente.


P: Que condições específicas devem ser cumpridas para que um médico prescreva talidomida?

Para que uma receita seja emitida, o doente deve ter o diagnóstico de uma condição oficialmente aprovada (como mieloma múltiplo ou ENL). A elegibilidade regulamentar exige que o doente esteja inscrito e siga os protocolos do programa de segurança obrigatório (REMS/PPG), que inclui a contraceção e a monitorização obrigatórias.


P: A talidomida pode ser prescrita para condições não mencionadas nos usos principais?

A aprovação regulamentar para este medicamento está limitada às condições específicas listadas nos documentos oficiais, tais como o mieloma múltiplo e o Eritema Nodoso Leproso. A sua utilização para qualquer outra condição não está oficialmente aprovada.


P: A idade avançada altera os riscos associados à talidomida?

Sim, os documentos oficiais indicam que os adultos mais velhos podem ter uma maior probabilidade de sofrer certas reações adversas, incluindo o risco de coágulos sanguíneos (tromboembolismo) e obstipação. Para doentes com mais de 75 anos, algumas diretrizes regulamentares descrevem que pode ser considerada uma dose inicial mais baixa.


P: Quais são as restrições à doação de sangue durante a toma de talidomida?

Os doentes não devem doar sangue ou esperma enquanto tomam talidomida, durante quaisquer interrupções no tratamento e durante quatro semanas após a última dose. Esta medida rigorosa existe para evitar que o medicamento possa potencialmente chegar a indivíduos grávidos.


P: A talidomida pode afetar o humor ou causar confusão?

Sim, os relatórios oficiais listam o estado de confusão como um efeito secundário comum do medicamento. Outros efeitos psiquiátricos relatados, incluindo ansiedade, depressão e alterações de humor, também foram observados em documentos regulamentares.


P: Quais são os requisitos para as mulheres que estão a amamentar?

As orientações oficiais recomendam que as mulheres interrompam a amamentação durante o tratamento com talidomida. Esta medida é tomada porque não se sabe se o medicamento passa para o leite materno e se poderia potencialmente causar danos a um lactente.

Como Thalidomide deve ser armazenado e descartado?

Armazenamento e Eliminação das Cápsulas de Talidomida

As cápsulas de talidomida devem ser armazenadas de acordo com as especificações regulamentares oficiais para manter a estabilidade do produto e garantir a segurança.

  • Temperatura e Ambiente: Conservar o medicamento a uma temperatura ambiente controlada, especificamente entre 20 °C e 25 °C. O produto deve ser protegido do calor, humidade e luz direta, e não deve ser congelado.
  • Manuseamento e Acondicionamento: Manter o medicamento na sua embalagem original bem fechada e fora do alcance das crianças. As cápsulas não devem ser partidas, esmagadas, mastigadas ou abertas. Se o pó de uma cápsula partida entrar em contacto com a pele, a área exposta deve ser lavada imediatamente com água e sabão.
  • Eliminação: As cápsulas de talidomida não utilizadas ou fora do prazo de validade devem ser devolvidas ao profissional de saúde ou ao farmacêutico. A eliminação deve cumprir as regulamentações locais, e os doentes não devem doar sangue ou esperma durante o tratamento e durante as quatro semanas após a última dose.

Atenção! Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de usar pílulas ou medicamentos.

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