Levesam

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Levesam

Revisão médica

Laura Arias

Última atualização 22/12/2025

Esta página fornece informações gerais e de referência compiladas a partir de fontes médicas oficiais. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Para decisões sobre a sua saúde, consulte um profissional de saúde qualificado.

Visão geral de Levesam

Propriedades do Levesam

Propriedade Descrição
Substância Ativa Levetiracetam (alfa-etil-2-oxo-1-pirrolidina acetamida)
Forma Comprimido, solução oral, solução para perfusão intravenosa (IV)
Classe Farmacológica Fármaco Antiepiléptico (FAE) / Anticonvulsivante
Objetivo Geral Estabiliza a atividade cerebral para prevenir convulsões
Origem Derivado sintético da pirrolidona

1. Definição do Levesam: Identidade e Classe Anticonvulsivante

O Levesam é um medicamento sujeito a receita médica cuja substância ativa é o composto de Denominação Comum Internacional Levetiracetam. Este fármaco é formalmente classificado como um medicamento antiepiléptico de segunda geração, também conhecido como anticonvulsivante, sendo reconhecido pelo seu papel essencial na estabilização da atividade neuronal.

O levetiracetam é um derivado sintético da pirrolidona que se distingue estrutural e mecanisticamente de muitos medicamentos mais antigos para o controlo de crises, representando uma divergência face às classes de compostos tradicionais. Este medicamento monocomposto destina-se principalmente a controlar a atividade elétrica anormal que culmina em crises epilépticas, sendo utilizado na gestão de diversos tipos de distúrbios convulsivos.

2. Formas Farmacêuticas e Propósito Fundamental

A substância ativa levetiracetam é fornecida em diversas formas farmacêuticas para dar resposta a diferentes necessidades. Encontra-se disponível em comprimidos para uso oral, solução oral de base aquosa e concentrado para preparação de uma solução para perfusão intravenosa. A disponibilidade de uma formulação intravenosa equivalente é uma característica fundamental que garante que a administração pode ser mantida quando a via oral está temporariamente indisponível.

A função terapêutica central do levetiracetam é prevenir a ocorrência de crises espontâneas através do aumento da estabilidade das células nervosas, estabelecendo assim um limiar de proteção.

3. Contributo Único do Mecanismo (Nível Geral)

O levetiracetam atinge o seu efeito terapêutico através de um mecanismo de espetro alargado e único. A sua ação envolve a ligação seletiva à glicoproteína 2A das vesículas sinápticas (SV2A), uma proteína encontrada especificamente nas terminações nervosas. Ao modular a função da SV2A, o medicamento controla a libertação de mensageiros químicos, o que ajuda a suprimir a tendência do cérebro para a hipersincronização do disparo neuronal que inicia a atividade convulsiva.

Quais efeitos secundários são possíveis com Levesam?

Efeitos Secundários Possíveis e Informações de Segurança

O perfil de segurança oficial do Levesam (Levetiracetam) é caracterizado por reações categorizadas pela frequência, pela classe de sistemas e órgãos e por avisos de riscos graves obrigatórios, conforme definido pelas autoridades reguladoras.

As reações adversas principais que afetam o Sistema Nervoso e as Perturbações Psiquiátricas são os efeitos secundários documentados com maior frequência. Estes efeitos ocorrem frequentemente no início do tratamento, conforme documentado na rotulagem oficial.

Classificação de Frequência Exemplos de Reações Adversas
Muito Frequentes (≥ 1 em 10 doentes) Sonolência, Cefaleia (Dor de cabeça), Fadiga, Nasofaringite
Frequentes (≥ 1 em 100 a < 1 em 10 doentes) Tonturas, Agressividade, Irritabilidade, Dificuldades de coordenação (Ataxia), Vómitos

Reações adversas graves estão especificamente documentadas na rotulagem regulamentar, incluindo o risco de Comportamento e Ideação Suicida, uma nota de segurança comum a todos os fármacos antiepiléticos. Reações de hipersensibilidade raras mas graves, tais como a Reação a Fármaco com Eosinofilia e Sintomas Sistémicos (DRESS) e a Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) / Necrólise Epidérmica Tóxica (NET), são também de inclusão obrigatória na documentação de segurança.

As notas de segurança para populações específicas requerem atenção à dosagem em casos de compromisso renal, devido à excreção substancial do medicamento através dos rins. Além disso, questões comportamentais como agressividade e irritabilidade estão documentadas como tendo uma incidência mais elevada em doentes pediátricos. O tratamento deve ser retirado gradualmente para atenuar o risco de aumento da frequência de crises.

Sobredosagem e resposta em caso de emergência

Manifestações de Sobredosagem

Uma sobredosagem de Levetiracetam pode apresentar sintomas relacionados com a depressão do sistema nervoso central. As manifestações documentadas incluem sonolência, agitação, agressividade, ataxia (falta de coordenação motora) e nistagmo. Resultados mais graves observados em relatórios pós-comercialização incluem um nível de consciência diminuído, depressão respiratória e coma. Foram relatados casos de sobredosagem acidental em crianças, particularmente entre os 6 meses e os 11 anos de idade, frequentemente devido a erros específicos na medição da dose.

Ações de Emergência Necessárias

É necessária assistência médica imediata em caso de suspeita de sobredosagem. Nos casos em que a pessoa afetada colapse, tenha dificuldade em respirar, sofra uma convulsão ou não consiga ser despertada facilmente, os serviços de emergência devem ser contactados imediatamente. Recomenda-se o contacto com um centro de informação antivenenos para obter informações atualizadas sobre os procedimentos de gestão, com base no estado do doente.

Gestão e Procedimentos em Caso de Sobredosagem

Não se conhece um antídoto específico para a sobredosagem de Levetiracetam. A gestão foca-se inteiramente em cuidados sintomáticos gerais e de suporte. Os procedimentos para eliminar o medicamento não absorvido podem incluir a indução do vómito ou a lavagem gástrica. Uma medida procedimental fundamental é a hemodiálise, que é eficaz e deve ser considerada, uma vez que remove aproximadamente 50% do fármaco do organismo durante uma sessão padrão de quatro horas.

Usos terapêuticos de Levesam

O que o Levesam trata: principais utilizações e benefícios

O Levesam (Levetiracetam) é um medicamento antiepilético comummente utilizado na gestão de condições neurológicas que resultam em crises. O medicamento é relevante em contextos onde o suporte sintomático adicional é apropriado para condições que envolvem manifestações episódicas ou flutuantes.

Controlo de Grupos de Sintomas e Tipos de Crises

O Levesam é frequentemente utilizado para ajudar em três categorias principais de crises: crises de início parcial (focais), crises mioclónicas (sacudidelas súbitas tipo choque) e crises tónico-clónicas generalizadas primárias (convulsões major). Este medicamento é relevante para a gestão de sintomas que interferem com o conforto diário, tais como a atividade muscular involuntária e as convulsões de corpo inteiro associadas a estas condições. A sua aplicação nestes contextos contribui para aliviar a carga sintomática global, apoiando a gestão destes eventos.

Suporte Flexível para a Estabilidade

O Levesam é aplicado em contextos clínicos que envolvem padrões de sintomas agudos ou instáveis, sendo comummente utilizado numa vasta gama de grupos de doentes, desde lactentes a adultos, em situações onde é necessário um acompanhamento sintomático de suporte. Quer seja utilizado isoladamente ou em conjunto com outros tratamentos, este medicamento apoia o bem-estar geral durante as fases sintomáticas e ajuda a manter uma sensação de estabilidade quando os sintomas são mais visíveis.


Facto Rápido: Suporte sintomático para alterações motoras e de consciência O Levesam é relevante para aliviar sintomas de aumento da atividade neurológica ou muscular e auxilia na manutenção da estabilidade funcional durante episódios que envolvem uma perda temporária de consciência.

Critérios de utilização e restrições

Mapa de Elegibilidade: Informação Regulamentar Oficial

O perfil de elegibilidade para o Levesam (Levetiracetam) é definido pela idade do doente, pelo estado fisiológico e por uma proibição absoluta.


Contraindicação

Grupo de População Estado de Restrição
Hipersensibilidade Absolutamente Contraindicado

A utilização é proibida em doentes com hipersensibilidade conhecida à substância ativa levetiracetam ou a qualquer outro derivado da pirrolidona.


Elegibilidade Condicional e Específica por Idade

Domínio de Elegibilidade Declaração Oficial
Uso em Monoterapia Aprovado para adultos e adolescentes a partir dos 16 anos de idade. A segurança não foi estabelecida em doentes com idade inferior.
Terapia Adjuvante Permitida para uma faixa etária mais alargada, começando a partir de um mês de idade em determinadas indicações.
Insuficiência Renal O uso é condicional. A depuração está reduzida, exigindo uma individualização obrigatória da dose para qualquer grau de insuficiência renal, incluindo doentes em diálise.
Insuficiência Hepática Grave Requer precaução e avaliação da função renal, uma vez que o ajuste da dose é recomendado se a depuração renal também for baixa.
Gravidez/Lactação O uso durante a gravidez requer uma monitorização rigorosa dos níveis plasmáticos. O fabricante não recomenda a amamentação devido à excreção do fármaco no leite humano.

Ligação ao perfil de elegibilidade global:

Os documentos regulamentares estabelecem uma proibição absoluta (hipersensibilidade) e definem o uso condicional ao exigirem uma avaliação clínica obrigatória e ajustes para doentes com função orgânica comprometida ou grávidas. A elegibilidade é também estritamente ditada pela idade do doente em relação ao tipo específico de tratamento (monoterapia versus uso adjuvante).

O que devo saber sobre interações com outros medicamentos?

Interações com outros medicamentos e produtos

O Levesam (Levetiracetam) apresenta, de um modo geral, um potencial reduzido de envolvimento em interações medicamentosas comuns, uma vez que é minimamente metabolizado através dos sistemas enzimáticos do Citocromo P450 (CYP) do fígado. O Levetiracetam não é um inibidor, nem um substrato de alta afinidade para as principais isoformas do CYP, e não afeta a glucuronidação de fármacos como o Ácido Valproico.

Padrões de Interação Documentados

Tipo de Interação Substância/Classe Interagente Resultado Regulamentar Oficial
Farmacodinâmica Depressores do SNC (ex: Opioides) Risco de depressão aditiva do SNC (aumento da sonolência ou sedação).
Farmacodinâmica Álcool Pode aumentar o risco de efeitos adversos no SNC, tais como tonturas ou sonolência.
Farmacocinética AEDs indutores enzimáticos (ex: Carbamazepina) A coadministração leva ao aumento da depuração aparente do Levetiracetam e à diminuição da concentração plasmática.

Notas sobre a Depuração e Administração

As informações oficiais confirmam que não existem interações conhecidas com alimentos ou refeições. A depuração do fármaco está diretamente relacionada com a função renal, um padrão farmacocinético específico que significa que se espera uma depuração reduzida em indivíduos com compromisso renal. Além disso, estudos confirmam que substâncias como o Probenecida, um inibidor do transporte renal, não afetam a depuração do Levetiracetam.

Mecanismo de ação

A substância ativa do Levesam, o Levetiracetam, exerce a sua ação através de um mecanismo único focado em elementos reguladores chave da transmissão de sinais pré-sinápticos, resultando na moderação da excitabilidade neuronal.

Modulação Direcionada da Proteína SV2A

O mecanismo primário envolve a ligação de alta afinidade do Levetiracetam à Glicoproteína 2A das Vesículas Sinápticas (SV2A), uma proteína situada na membrana das vesículas de neurotransmissores pré-sinápticos. Esta interação modula a função da SV2A, que é crítica para regular a libertação de mensageiros químicos a partir dos terminais nervosos, especialmente quando as taxas de fusão vesicular são elevadas. A consequência celular resultante é uma redução na libertação de neurotransmissores, particularmente durante períodos de descarga neuronal de alta frequência.

Limitação da Hipersincronização Neuronal

Ao limitar a capacidade das células nervosas para realizar uma libertação rápida de neurotransmissores, a molécula restringe a ocorrência de hipersincronização de disparos em salva através das redes neuronais. Além disso, a molécula exibe efeitos secundários, incluindo a reversão de certos bloqueios de correntes inibitórias (GABA e Glicina) ao opor-se a moduladores alostéricos negativos.

Elevação Fisiológica do Limiar de Crises

O efeito coletivo destas ações moleculares e celulares é uma elevação fisiológica do limiar de crises no sistema nervoso central. Este aumento do limiar reflete uma redução sistémica na capacidade de propagação de atividade elétrica de alta frequência.

Informações sobre dosagem e administração

Orientações Oficiais de Administração

O Levesam (levetiracetam) é administrado por via oral (comprimidos, solução oral ou comprimidos orodispersíveis) ou por perfusão intravenosa (IV). O medicamento é geralmente tomado duas vezes ao dia, com as doses idealmente separadas por aproximadamente 12 horas. Pode ser tomado com ou sem alimentos.

Posologia e Ajuste Gradual (Titulação)

A dose inicial para adultos (≥16 anos) e adolescentes (≥12 anos, com peso ≥50 kg) começa habitualmente com 500 mg duas vezes por dia. A dosagem é ajustada incrementalmente a cada duas semanas em 500 mg duas vezes por dia até ser atingida a dose pretendida, até uma dose máxima recomendada de 1500 mg duas vezes por dia (3000 mg/day). A dosagem pediátrica (lactentes e crianças) é baseada no peso (mg/kg) e também requer um esquema de titulação; por exemplo, a dose máxima para crianças dos 4 aos <16 anos é de 30 mg/kg duas vezes ao dia.

Etapas de Preparação e Administração

No que respeita às formas orais, os comprimidos devem ser engolidos inteiros com líquido, não devendo ser esmagados, partidos ou mastigados. A solução oral deve ser medida utilizando um dispositivo calibrado (evitando o uso de colheres domésticas) para garantir uma dosagem precisa baseada no peso. Os comprimidos orodispersíveis devem ser colocados sobre a língua seca para se dissolverem antes de serem engolidos.

Relativamente à perfusão IV, a dose recomendada do concentrado deve primeiro ser diluída em pelo menos 100 mL de um diluente compatível e administrada como uma perfusão intravenosa de 15 minutos.

Se uma dose for esquecida, deve ser tomada assim que houver recordação, a menos que esteja quase na hora da dose seguinte, caso em que a dose esquecida deve ser ignorada; não se deve duplicar a dose. Os ajustes posológicos baseados na função renal (depuração da creatinina) são obrigatórios tanto para doentes adultos como pediátricos.

Evidência clínica recente

Evidência de Investigação / Visão Geral dos Estudos sobre o Levesam (Levetiracetam)

Evidência para o Uso em Crises de Início Parcial (Crises Focais)

A investigação explorou a avaliação clínica do Levesam principalmente através de ensaios de curta duração (12 a 18 semanas), aleatorizados e em dupla ocultação, nos quais o Levesam foi estudado como um tratamento adjuvante para crises de início parcial. Os investigadores focaram-se em resultados relacionados com o desequilíbrio sistémico ou funcional, medindo a frequência de crises parciais em populações de adultos, adolescentes e crianças (a partir de 1 mês de idade). As conclusões descrevem padrões observados nos estudos e relatam como a frequência de crises parciais se alterou nas populações observadas durante o período do estudo controlado. A evidência controlada inicial é maioritariamente de curto prazo e os resultados a longo prazo não estão totalmente estabelecidos, uma vez que os dados para o uso sustentado ao longo de vários anos são frequentemente derivados de estudos de extensão abertos, onde a certeza sobre as alterações observadas a longo prazo permanece baixa.

Evidência para o Uso em Crises Tónico-Clónicas Generalizadas Primárias (PGTCS)

A investigação descreve que os estudos monitorizaram as alterações medidas na frequência de Crises Tónico-Clónicas Generalizadas Primárias (PGTCS) em populações adultas e pediátricas (a partir dos seis anos de idade). Estes estudos controlados foram desenhados para avaliar o medicamento como um tratamento adjuvante. Os resultados sugerem padrões relacionados com diferenças medidas na frequência de PGTCS nos grupos observados ao longo dos intervalos do estudo. Foi também explorada investigação comparativa face a outros fármacos antiepilépticos, descrevendo diferenças nas taxas de retenção dos doentes ao longo do tempo. Os dados de monoterapia para PGTCS recém-diagnosticadas são menos extensos e são frequentemente derivados de desenhos de estudo diferentes; os estudos controlados abrangem tipicamente cerca de 24 semanas.

O que Permanece Incerto no Panorama da Investigação

A literatura científica oficial indica várias áreas onde a investigação está em curso ou onde a evidência é limitada. A investigação destaca o que é conhecido e o que ainda é incerto em relação aos resultados a longo prazo, dada a falta de evidência comparativa sobre a durabilidade ao longo de muitos anos. Além disso, a evidência é limitada para certos subgrupos de doentes. Embora a ocorrência de eventos adversos tenha sido monitorizada nos ensaios de curto prazo, os efeitos a longo prazo não estão totalmente estabelecidos.

Como Levesam deve ser armazenado e descartado?

Como Armazenar e Eliminar o Levesam (Levetiracetam)

Requisitos de Conservação

Os comprimidos e a solução oral de Levesam devem ser conservados a uma Temperatura Ambiente Controlada, tipicamente definida entre os 20°C e os 25°C, sendo permitidas variações pontuais. Para garantir a estabilidade, a solução oral deve ser mantida afastada da luz e o medicamento deve ser conservado na sua embalagem original. Todas as formas de Levesam devem ser mantidas fora da vista e do alcance das crianças.

Estabilidade e Manuseamento

Relativamente à solução oral, o produto permanece estável por um período definido após a abertura do frasco. A solução intravenosa (IV), uma vez diluída, possui uma estabilidade limitada; deve ser utilizada imediatamente ou conservada sob refrigeração por um período não superior a 24 horas, conforme especificado na rotulagem. Qualquer porção não utilizada do conteúdo do frasco de concentrado IV deve ser rejeitada.

Instruções de Eliminação

O Levesam fora de validade ou não utilizado deve ser eliminado de acordo com os requisitos regulamentares locais ou com instruções específicas fornecidas ao doente juntamente com o medicamento. Não é recomendada a eliminação do levetiracetam através da sanita ou de canais de esgoto.

Atenção! Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de usar pílulas ou medicamentos.

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