Letermovir

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Letermovir

Opção de tratamento:

Revisão médica

Marina Burgos

Última atualização 10/01/2026

Esta página fornece informações gerais e de referência compiladas a partir de fontes médicas oficiais. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Para decisões sobre a sua saúde, consulte um profissional de saúde qualificado.

Visão geral de Letermovir

Propriedade Descrição
Substância ativa Letermovir
Forma Comprimidos, grânulos orais, solução injetável
Classe farmacológica Inibidor do complexo terminase do ADN do CMV
Objetivo geral Controlar a replicação do Citomegalovírus (CMV)
Origem Composto sintético

Que Tipo de Medicamento é o Letermovir?

O letermovir é um composto sintético especializado, classificado como um fármaco antiviral destinado a tratar infeções causadas pelo herpes-vírus humano 5, conhecido como Citomegalovírus (CMV). Pertence à classe farmacológica dos inibidores do complexo terminase do ADN do CMV, a qual é clinicamente reconhecida pelo seu mecanismo de ação direcionado. Este produto de substância única distingue-se como um inibidor "first-in-class" (o primeiro da sua classe) por possuir um novo mecanismo de ação que evita as vias de resistência comuns associadas a antivirais anteriores, oferecendo assim uma opção de proteção alternativa para populações de doentes vulneráveis. O seu papel especializado para grupos restritos de doentes é reconhecido pelas autoridades reguladoras como um fármaco prioritário.

Composição e Formas Disponíveis

O medicamento contém letermovir como única substância ativa nas suas preparações farmacêuticas, que foram concebidas tanto para administração oral como intravenosa. O letermovir está disponível em três formas farmacêuticas principais: comprimidos revestidos por película, grânulos orais e uma solução concentrada para injeção intravenosa (IV). A capacidade de utilizar o medicamento por via oral, através de comprimidos e grânulos, ou através de uma linha central via perfusão IV, proporciona uma flexibilidade crítica no tratamento do doente, garantindo a administração contínua independentemente da condição médica imediata do indivíduo.

Objetivo Geral e Benefícios deste Inibidor do CMV

O objetivo geral do letermovir é controlar e limitar o crescimento do Citomegalovírus, interrompendo a sua capacidade de se reproduzir e de espalhar partículas infeciosas. Esta função antiviral é alcançada através da inibição seletiva do complexo terminase viral, um mecanismo fundamental e essencial para a montagem do vírus. Ao interferir especificamente com este complexo, o letermovir impede que o vírus condicione corretamente o seu material genético, interrompendo assim a maturação dos viriões. Isto confirma o papel do medicamento na prevenção da conclusão do processo de montagem do vírus, proporcionando um benefício protetor direcionado ao reduzir a carga viral global em indivíduos imunologicamente comprometidos.

Quais efeitos secundários são possíveis com Letermovir?

Possíveis efeitos secundários e informações de segurança

Os documentos oficiais classificam os possíveis efeitos adversos do letermovir com base na frequência observada durante os ensaios clínicos. O perfil de segurança está organizado de acordo com as classes de sistemas de órgãos padrão.

Reações Adversas Classificadas por Frequência

As reações adversas consideradas Muito Frequentes (podem afetar mais de 1 em cada 10 indivíduos) incluem Náuseas e Diarreia. As reações classificadas como Frequentes (podem afetar entre 1 em cada 10 e 1 em cada 100 indivíduos) incluem Vómitos, Dor abdominal, Cefaleia e Fadiga.

Efeitos Sistémicos e Reações Graves

Os efeitos adversos são documentados com maior frequência nas classes de Doenças gastrointestinais e Doenças do sistema nervoso. As informações destacam efeitos no Sistema hepatobiliar, especificamente aumentos na alanina aminotransferase (ALT) e na aspartato aminotransferase (AST), que são indicadores da função hepática. As reações adversas graves documentadas incluem Reações de Hipersensibilidade, que raramente podem envolver anafilaxia, e o potencial de Hepatotoxicidade, caracterizada por elevações graves das enzimas do fígado.

Restrições de Segurança e Considerações Populacionais

O medicamento está sujeito a limitações de segurança específicas. Não é recomendado para utilização em doentes com insuficiência hepática grave (Classe C de Child-Pugh). A formulação intravenosa pode causar Reações no local de injeção. Além disso, a coadministração é contraindicada com certos medicamentos, tais como a Pimozida ou os Alcaloides do Ergot, devido ao risco significativo de reações adversas graves, incluindo eventos cardíacos potencialmente fatais ou ergotismo. A vigilância contínua quanto à reativação do Citomegalovírus é necessária após a conclusão da profilaxia.

Sobredosagem e resposta em caso de emergência

As informações oficiais de prescrição relativas à sobredosagem com letermovir são essencialmente procedimentais, estabelecendo as etapas de gestão necessárias em vez de detalharem um síndrome tóxico específico. A experiência clínica documentada indica que o perfil de reações adversas observado em indivíduos saudáveis que receberam doses elevadas — até três vezes a dose diária máxima recomendada de 480 mg — foi semelhante ao perfil verificado com a dose clínica padrão. Não existem manifestações específicas ou distintas de sobredosagem explicitamente listadas nos documentos técnicos.

Ações de Emergência e Gestão Clínica

Na eventualidade de suspeita de sobredosagem, as orientações determinam que um centro de informação antivenenos regional seja contactado de imediato para obter orientações sobre os procedimentos a seguir. A gestão necessária é definida por limitações e ações críticas:

Não existe nenhum antídoto específico conhecido para a sobredosagem com letermovir. O doente deve ser monitorizado quanto à ocorrência de reações adversas num contexto clínico, devendo ser instituído o tratamento sintomático adequado para gerir quaisquer alterações clínicas. Está oficialmente documentado que permanece desconhecido se a diálise resultará numa remoção significativa do letermovir da circulação sistémica.

Esta abordagem de suporte é o padrão para gerir a sobredosagem com este composto, conforme estabelecido pelas diretrizes globais.

Usos terapêuticos de Letermovir

Factos Rápidos

  • Foco Principal: Prevenção da infeção pelo Citomegalovírus (CMV).
  • População de Doentes: Indivíduos submetidos a transplante de células estaminais hematopoiéticas (TCEH) ou transplante renal.
  • Objetivo Terapêutico: Auxiliar na redução do risco de doença por CMV em doentes de alto risco.

O letermovir é um medicamento antiviral utilizado para profilaxia, o que significa que o seu propósito principal é a prevenção da doença, em vez do tratamento de uma infeção ativa. Trata-se de uma opção terapêutica estabelecida, geralmente administrada a indivíduos que foram submetidos a uma transplantação de órgãos, um período em que o sistema imunitário se encontra significativamente comprometido.

O medicamento é utilizado para ajudar a reduzir o risco de infeção e doença por Citomegalovírus (CMV) em doentes adultos e pediátricos que sejam recetores seropositivos para o CMV após um transplante alogénico de células estaminais hematopoiéticas (TCEH). A sua utilização destina-se também a contribuir para reduzir a probabilidade de doença em recetores selecionados de transplante renal que sejam considerados de alto risco (especificamente, quando o dador do órgão é seropositivo para o CMV e o recetor é seronegativo).

A evidência clínica sustenta a sua utilização como medida preventiva nestas populações específicas para gerir o potencial de complicações relacionadas com o CMV. Esta abordagem constitui uma componente importante do plano global de cuidados para estes doentes, conforme detalhado nas informações de prescrição do fármaco. A sua aplicação baseia-se em diretrizes estabelecidas e nos fatores de risco individuais do doente.

Critérios de utilização e restrições

O letermovir é um medicamento antiviral aprovado especificamente para utilização em adultos recetores de um transplante alogénico de células estaminais hematopoiéticas (TCEH) para prevenir a infeção e a doença por citomegalovírus (CMV). A sua utilização está limitada a esta população altamente específica, na qual o risco de reativação do CMV é significativo.


Quem Pode Utilizar o Letermovir?

Grupo de Doentes Indicação
Adultos (18+) Recetores de Transplante Alogénico de Células Estaminais Hematopoiéticas (TCEH)

Contraindicações e Precauções

A utilização do letermovir é contraindicada em doentes que estejam a tomar pimozida ou alcaloides do ergot (como a ergotamina e a di-hidroergotamina). Isto deve-se ao potencial para interações medicamentosas significativas e prejudiciais.

Recomenda-se precaução e a utilização deve ser cuidadosamente avaliada em doentes com insuficiência renal grave (depuração da creatinina inferior a 10 mL/min), a menos que estejam a realizar diálise, ou em doentes com insuficiência hepática moderada ou grave (Classe B ou C de Child-Pugh).

A segurança e eficácia do fármaco não foram estabelecidas em doentes pediátricos com idade inferior a 18 anos.

O que devo saber sobre interações com outros medicamentos?

Interações com outros medicamentos e produtos

O perfil de interações do letermovir é formalmente definido com base nos seus efeitos no transporte e metabolismo de fármacos. A restrição mais rigorosa é a classificação de várias coadministrações como combinações contraindicadas. Esta proibição absoluta aplica-se ao uso simultâneo de Pimozida, Alcaloides do Ergot (como a ergotamina) e o produto à base de plantas Hipericão (Hypericum perforatum).

Ocorre um padrão de interação complexo quando o letermovir é administrado em conjunto com a Ciclosporina. A ciclosporina inibe certos transportadores de fármacos (OATP1B1/3), o que leva a um aumento documentado das concentrações plasmáticas de letermovir. Esta situação requer um ajuste obrigatório da dosagem de letermovir. Além disso, a combinação de letermovir e ciclosporina é contraindicada com várias estatinas específicas, incluindo a Pitavastatina e a Simvastatina, devido ao risco significativo de um aumento da exposição a estas estatinas.

O letermovir também pode influenciar a concentração de outros medicamentos ao afetar certas vias metabólicas. Pode aumentar os níveis plasmáticos de fármacos coadministrados que dependam dos transportadores OATP1B1/3 ou daqueles com uma janela terapêutica estreita que utilizem a enzima CYP3A. Inversamente, espera-se que os indutores enzimáticos fortes ou moderados (como a Rifampicina) reduzam significativamente as concentrações plasmáticas de letermovir, o que pode resultar em níveis subterapêuticos. Por último, o uso de letermovir não é recomendado em doentes com Insuficiência Hepática Grave (Classe C de Child-Pugh).

Mecanismo de ação

Alvo Molecular: O Complexo Terminase do ADN do CMV

O letermovir é um inibidor não competitivo seletivo que atua visando o Complexo Terminase do ADN do Citomegalovírus (CMV), uma maquinaria enzimática do próprio vírus. O fármaco exerce o seu efeito ligando-se com afinidade à subunidade pUL56 deste complexo. Esta ação baseia-se num mecanismo que não se sobrepõe ao dos inibidores da polimerase do ADN viral. O facto de visar este complexo estabelece a seletividade do fármaco contra o CMV, uma vez que esta enzima não possui correspondente nas células humanas.


Bloqueio do Acondicionamento do Genoma Viral

A principal consequência fisiológica desta ligação é a interrupção da via de acondicionamento do genoma viral. O complexo terminase é responsável por clivar longas cadeias de ADN viral recém-sintetizado (concatémeros) em genomas individuais de comprimento unitário, inserindo-os nas cápsulas proteicas virais (procapsídeos). Ao bloquear esta função, o letermovir impede a formação e a libertação de viriões maduros e infeciosos. A interrupção deste processo de replicação em estágio tardio limita a capacidade de propagação do vírus.


Limitações do Mecanismo através de Mutação Viral

A especificidade deste mecanismo também define as suas limitações. O principal local de vulnerabilidade é a bolsa de ligação na subunidade pUL56. Mutações pontuais no gene UL56 podem alterar geneticamente a estrutura deste local de ligação, reduzindo a afinidade do letermovir e permitindo que a função do complexo terminase seja restaurada. Esta superação do bloqueio permite que o vírus continue o seu processo de replicação e disseminação, apesar da presença do medicamento.

Informações sobre dosagem e administração

O letermovir é um medicamento antiviral administrado através de duas vias principais e intercambiáveis: a via oral (utilizando comprimidos revestidos por película ou grânulos) e a perfusão intravenosa (IV) (para utilização temporária). A formulação IV destina-se principalmente a indivíduos que estejam temporariamente impossibilitados de tomar medicação por via oral, sendo aconselhada a passagem para a via oral logo que apropriado.

A posologia padrão para adultos é de 480 mg tomados uma vez por dia. Esta dose é reduzida para 240 mg uma vez por dia quando o medicamento é coadministrado com ciclosporina, um padrão estabelecido na documentação regulamentar. Esta administração de dose única diária deve ser mantida de forma consistente durante todo o tratamento.

O regime de tratamento tem uma duração limitada, sendo iniciado pouco tempo depois de um transplante de células estaminais hematopoiéticas (TCEH) ou de um transplante renal. Para o TCEH, a administração continua habitualmente até ao 100.º dia pós-transplante, podendo ser alargada até ao 200.º dia em doentes de alto risco.

Devem ser seguidos passos procedimentais específicos para a administração: os comprimidos orais devem ser engolidos inteiros e podem ser tomados independentemente das refeições. A solução IV deve ser diluída antes da utilização e administrada através de uma perfusão a um débito constante durante uma hora completa, utilizando um filtro em linha estéril de 0,2 mícrones ou 0,22 mícrones. Além disso, a utilização do medicamento não é recomendada em doentes com insuficiência hepática grave (Classe C de Child-Pugh). Caso ocorra o esquecimento de uma dose, o doente deve tomá-la o mais rapidamente possível, mas não deve duplicar a dose seguinte para compensar.

Evidência clínica recente

Evidência Científica / Visão Geral dos Estudos sobre o Letermovir

Evidência na Prevenção da Infeção por CMV em Recetores de Transplante de Células Estaminais

A evidência principal para esta utilização foi estudada em ensaios clínicos controlados e aleatorizados (ECA) de grande escala e curta duração. Nestes ensaios, os investigadores analisaram doentes que tinham recebido um transplante alogénico de células estaminais e que apresentavam risco de infeção por Citomegalovírus (CMV). Os principais resultados medidos foram a incidência de infeção por CMV clinicamente significativa (CMV que cumpre os critérios para intervenção) e a sobrevivência livre de CMV em intervalos definidos. Os estudos quantificaram a incidência de infeção por CMV clinicamente significativa no grupo que recebeu o medicamento e compararam-na com os resultados do grupo placebo ao longo do período definido, habitualmente cerca de 100 dias pós-transplante.

Evidência na Prevenção da Doença por CMV em Recetores de Transplante Renal

Para os recetores de transplante renal, a investigação explorou a sua utilização principalmente em adultos com risco mais elevado de desenvolver doença por CMV, especificamente aqueles que são CMV-negativos mas que receberam um órgão de um dador CMV-positivo (D+/R-). Os principais ensaios avaliaram estas populações, comparando frequentemente os resultados com a medicação padrão utilizada para profilaxia durante um período de até 28 semanas. Os resultados analisados pela investigação incluíram a incidência de doença por CMV confirmada, bem como a deteção de ADN viral do CMV no sangue.

Estudos a Longo Prazo e Dados de Acompanhamento

Embora os estudos fundamentais tenham acompanhado os resultados dos doentes até um ano, os dados mais rigorosos focam-se nos primeiros 100 a 200 dias de tratamento. A investigação destaca as alterações medidas durante este período de curto prazo. Contudo, os efeitos a longo prazo não estão totalmente estabelecidos, particularmente no que diz respeito à durabilidade do efeito após a interrupção do medicamento. Alguns dados de acompanhamento sugeriram que o padrão de infeção por CMV clinicamente significativa sofreu alterações após o término do período de profilaxia, um fenómeno conhecido como infeção por CMV de início tardio.

Lacunas na Investigação e Incertezas Remanescentes

A base de evidência atual apresenta várias lacunas. Uma área importante de incerteza é a duração da proteção após a descontinuação da medicação; os padrões de infeção por CMV de início tardio não se encontram totalmente estabelecidos. Adicionalmente, embora o medicamento tenha sido avaliado em profilaxia primária (prevenção), a investigação oferece dados limitados sobre a utilização do fármaco para o tratamento de doença ativa por CMV. Além disso, os dados para certos grupos permanecem insuficientes, particularmente em crianças e em alguns recetores de transplante de órgãos sólidos fora do grupo de alto risco renal.

Como Letermovir deve ser armazenado e descartado?

Como Conservar e Eliminar o Letermovir

A conservação e a eliminação do letermovir devem cumprir rigorosamente as condições especificadas nas informações oficiais para garantir a estabilidade e a segurança do produto.

Requisitos de Conservação

Todas as formulações que ainda não tenham sido abertas (comprimidos, grânulos e frascos-ampola) devem ser conservadas a uma temperatura ambiente controlada, especificamente entre os 20°C e os 25°C, e devem ser protegidas do congelamento.

Formulação Embalagem/Proteção Necessária Estabilidade em Uso (Apenas Injeção)
Comprimidos Conservar no blister original para proteger da humidade. N/A
Injetável Conservar na cartonagem original para proteger da luz. A solução diluída é estável até 24 horas à temperatura ambiente ou 48 horas sob refrigeração (2°C a 8°C).

Manuseamento e Eliminação

O medicamento deve ser mantido fora da vista e do alcance das crianças.

Os frascos-ampola destinam-se a uma única utilização; qualquer porção não utilizada deve ser eliminada imediatamente. Todo o produto que tenha expirado ou que não tenha sido utilizado deve ser eliminado de acordo com os requisitos locais para resíduos farmacêuticos.

Atenção! Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de usar pílulas ou medicamentos.

Equivalente a Letermovir encontrado em:

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