5 Remédios a Evitar na Gravidez Durante Viagens

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Evgeny Yudin

Autor

  • Qualificação: International Health Access Consultant

  • Cargo: Founder of Pillintrip.com

  • Empresa: Pillintrip.com – International Health and Travel

Introdução: Por que isso é importante agora

 Em 21 de setembro de 2025, o Washington Post noticiou que o presidente Donald Trump repercutiu com um anúncio sobre autismo, ligando o acetaminofeno (Tylenol) a possíveis riscos durante a gravidez. O anúncio gerou reações na comunidade médica, debates na mídia e até mexeu com o preço das ações Tylenol e da Kenvue em Wall Street. Seja acompanhando as notícias sobre Trump, anúncios do RFK ou dicas de saúde do Dr. Oz, há uma certeza: a segurança de medicamentos conhecidos na gestação nunca esteve sob tanta análise.

Para quem viaja, essa questão é ainda mais sensível. Imagine uma longa fila em aeroporto com forte dor de cabeça, ou desembarcar em um país onde as prateleiras da farmácia não lembram nada as do Brasil. É tentador recorrer aos comprimidos conhecidos da bagagem de mão. Porém, a gestação altera como o corpo processa medicamentos, e o que era seguro pode passar a oferecer riscos. Aqui está um guia claro e prático sobre cinco medicamentos comuns que devem ser repensados durante a gravidez.

1. Acetaminofeno (Tylenol, Paracetamol) — A opção “segura” sob suspeita

Por que importa: por décadas, o acetaminofeno (paracetamol) foi o analgésico padrão na gravidez. Mas o anúncio de Trump trouxe à tona preocupações sobre riscos de autismo. Os estudos divergem: alguns, como o de Harvard, apontam ligações com TDAH e autismo; outros, como a pesquisa sueca entre irmãos, não observam risco claro.

Na viagem: Tylenol é um dos primeiros remédios na mala — febre, dor muscular ou dor de cabeça pelo jet lag. Como atravessa a placenta e pode interferir nos hormônios, especialistas agora dizem: não tome sem cuidado. Procure sempre orientação médica antes de usar o remédio no exterior.

Principais estudos aqui

2. AINEs (Ibuprofeno, Aspirina, Naproxeno) — Riscos cardiovasculares ocultos

Por que importa: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) estão em todo lugar — quiosques de aeroportos, lojas de hotéis e até kits médicos em voos. Mas pesquisas revelam riscos de malformações, redução de líquido amniótico e problemas renais no feto, especialmente após a 20ª semana de gestação.

Na viagem: Ibuprofeno é comum para dores pós-voos longos ou dores de cabeça em regiões altas. O problema? Esses medicamentos podem reduzir o fluxo sanguíneo na placenta. Prefira estratégias não medicamentosas, como alongamentos, hidratação ou alternativas aprovadas pelo médico.

Alerta FDA aqui

3. Analgésicos opioides (Codeína, Oxicodona) — O risco nas emergências

Por que importa: emergências existem — dor de dente fora do país, lesões súbitas ou recuperação de cirurgia. Opioides como codeína e oxicodona podem ser prescritos, mas estão associados a riscos sérios: má-formação cardíaca, espinha bífida e síndrome de abstinência neonatal.

Na viagem: Em certos países, codeína ainda está à venda sem receita para tosse ou dores intensas, o que pode atrair viajantes em apuros. Mas, para gestantes, é alerta vermelho. Em caso de atendimento médico fora do Brasil, avise da gestação antes de aceitar prescrições.

Estudo nacional sobre defeitos congênitos

4. Anti-histamínicos de primeira geração (Difenidramina/Benadryl) — Alívio para alergia com cautela

Por que importa: antialérgicos e soníferos, como Benadryl, são comuns em muitas malas de viagem. Pesquisas iniciais sugeriram risco de más-formações; dados recentes associam preocupações para o fígado a longo prazo. Soma-se a sedação, e não é ideal para gestantes enfrentando aeroportos lotados.

Na viagem: Antialérgicos são usados para enjoo, coceiras ou como soníferos improvisados. Tontura e sedação aumentam risco de quedas — perigoso para grávidas carregando bagagem.

Ficha MotherToBaby

5. Descongestionantes (Pseudoefedrina) — Não compensa o alívio rápido

Por que importa: Nariz entupido é comum por variações de pressão no avião e resfriados em ambientes lotados. Mas a pseudoefedrina, descongestionante clássico, está relacionada a defeitos da parede abdominal e a redução do fluxo sanguíneo para a placenta.

Na viagem: voos longos causam pressão nos ouvidos e seios, tornando tentador o uso de pseudoefedrina. Com altitude ou pouco oxigênio, os riscos aumentam. Opte por sprays salinos ou máscaras filtrantes para prevenir infecções.

Guia NHS

Dicas seguras para a mala de gestante viajante

Veja uma tabela comparativa útil para montar sua farmacinha de viagem:

Sintoma/Necessidade

Opções mais seguras na gestação

O que evitar

Náusea & enjoo

Balas de gengibre, vitamina B6, dimenidrinato (com aprovação médica)

Antieméticos fortes, só com receita médica

Dor leve

Tratamentos locais, métodos não medicamentosos (massagem, bolsa térmica)

Ibuprofeno, aspirina em doses altas

Alergias

Loratadina, cetirizina (antialérgicos de segunda geração)

Difenidramina (Benadryl) em altas doses, antialérgicos sedativos

Resfriado & congestão

Sprays salinos, umidificadores, inalação de vapor

Pseudoefedrina e descongestionantes orais

Leve essas opções com você, não improvise durante a viagem. Farmácias estrangeiras podem não ter marcas conhecidas e a barreira linguística atrapalhar o atendimento.

Exemplo prático: voo longo para a Ásia

Imagine: você viaja de Nova York a Bangkok, na quinta mês de gestação. Após dez horas de voo, sente enjoo e pega um remédio conhecido — mas o rótulo está em outro idioma, impossível saber a composição. É nesse tipo de situação que uma farmacinha montada de casa, aprovada pelo médico, faz diferença. Balas de gengibre ou vitamina B6 trazidas do Brasil são melhores do que arriscar marcas locais desconhecidas a bordo.

Converse com seu médico sobre a farmacinha de viagem

Antes da viagem, marque consulta com o obstetra ou a enfermeira e leve a lista de itens que pretende embarcar. Pergunte:

  • Quais analgésicos são mais seguros para meu estágio de gravidez?

  • Qual a melhor opção se eu sentir enjoo no voo ou durante navegação?

  • Há remédios vendidos sem receita no exterior que devo evitar?

  • Preciso levar atestado ou receita para algum desses itens?

Essa conversa adequa a farmacinha ao seu histórico de saúde e destino, evitando sustos longe de casa.

Considerações finais

O anúncio de Trump sobre paracetamol pode soar político, mas expõe uma verdade: a segurança dos medicamentos na gravidez está em revisão constante. O que era seguro ontem pode ser questionado hoje. Some-se os imprevistos da viagem—jet lag, doenças, farmácias desconhecidas—e os riscos se tornam reais.

O essencial? Não espere estar em uma farmácia estrangeira com o Google Tradutor aberto. Antes de arrumar as malas, consulte seu médico sobre o que é seguro para você e seu bebê. Monte sua farmacinha com medicamentos aprovados e viaje pronta para o imprevisto, sem colocar a gestação em risco.