Ursodez

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Revisão médica

Marina Burgos

Última atualização 22/12/2025

Esta página fornece informações gerais e de referência compiladas a partir de fontes médicas oficiais. Não substitui aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Para decisões sobre a sua saúde, consulte um profissional de saúde qualificado.

Visão geral de Ursodez

O que é o Ursodez?

O Ursodez é um medicamento que contém a substância ativa ácido ursodesoxicólico. Este composto é um ácido biliar de ocorrência natural, presente em pequenas quantidades na bílis humana, que desempenha um papel fundamental no sistema digestivo e na função hepática.

O medicamento atua principalmente através da modificação da composição da bílis. Ao aumentar a proporção de ácido ursodesoxicólico em relação a outros ácidos biliares mais agressivos, o Ursodez ajuda a proteger as células do fígado e a promover um fluxo biliar mais saudável. Além disso, possui a capacidade de reduzir a saturação de colesterol na bílis, o que facilita a dissolução gradual de certos tipos de cálculos biliares formados por colesterol.

O Ursodez é habitualmente indicado para o tratamento de doenças hepáticas crónicas, como a cirrose biliar primária (atualmente designada por colangite biliar primária), e para a dissolução de cálculos biliares de colesterol em doentes que não pretendem ou não podem ser submetidos a cirurgia. É também utilizado no tratamento de perturbações hepatobiliares associadas à fibrose cística em pediatria.

Quais efeitos secundários são possíveis com Ursodez?

Efeitos secundários possíveis e informações de segurança

O perfil de segurança oficial do Ursodez (ácido ursodesoxicólico) está organizado de acordo com a frequência e o sistema corporal afetado, com base em dados de ensaios clínicos e dados regulamentares. Esta informação descreve as reações adversas documentadas e as restrições de segurança específicas para a sua utilização.


Reações Adversas Classificadas por Frequência

Classificação Exemplos de Reações (por Classes de Sistemas de Órgãos)
Frequentes (≥ 1/100 a < 1/10) Diarreia, fezes pastosas (Doenças Gastrointestinais)
Pouco Frequentes (≥ 1/1.000 a < 1/100) Cólica hepática (Doenças Hepatobiliares)
Muito Raras (< 1/10.000) Urticária, calcificação de cálculos biliares (Doenças Hepatobiliares / Afecções dos Tecidos Cutâneos)

Considerações de Segurança Graves

Os documentos regulamentares destacam duas reações adversas Muito Raras com relevância clínica. Em doentes com Colangite Biliar Primária (CBP) avançada pré-existente, existe o potencial documentado de agravamento da função hepática (descompensação hepática). Adicionalmente, o fármaco acarreta um risco muito raro de calcificação de cálculos biliares de colesterol, o que pode torná-los resistentes à dissolução.

Restrições de Segurança

O Ursodez está sujeito a contraindicações que incluem restrições de segurança estruturais ou funcionais. Não deve ser utilizado em caso de inflamação aguda da vesícula biliar ou das vias biliares, obstrução do trato biliar (ex.: oclusão do canal biliar comum) ou se o doente apresentar uma vesícula biliar não funcional. A presença de cálculos biliares calcificados radiopacos é também uma restrição documentada.

Notas sobre Populações e Exposição

Na população de doentes com CBP, o folheto oficial especifica que pode ocorrer um agravamento dos parâmetros da função hepática no início do tratamento. Além disso, os contracetivos hormonais com elevado teor de estrogénio são referidos como podendo aumentar o risco de litíase biliar, um fator relevante para a segurança ao tratar mulheres em idade fértil.

Sobredosagem e resposta em caso de emergência

Sobredosagem e quando procurar ajuda

O perfil oficial de sobredosagem do Ursodez (Ácido Ursodesoxicólico) baseia-se em relatórios que detalham as ações do fármaco em concentrações elevadas. De acordo com a documentação oficial, a ocorrência de resultados sistémicos graves ou de outros sintomas potencialmente fatais é, geralmente, improvável em casos de sobredosagem aguda. Este risco limitado deve-se a uma restrição natural: os mecanismos de absorção do organismo tornam-se saturados, fazendo com que a absorção da substância diminua à medida que a dose aumenta, o que resulta numa maior excreção através das fezes.

A manifestação clínica oficialmente documentada centra-se no sistema gastrointestinal, apresentando-se principalmente como diarreia. A orientação sobre quando procurar ajuda médica imediata está diretamente ligada às consequências deste sintoma.

Declarações Oficiais:

  • Manifestação mais provável: A diarreia é a manifestação mais provável de uma sobredosagem grave.
  • Ação urgente necessária: É necessária assistência médica urgente para a restauração do equilíbrio de fluidos e eletrólitos resultante dos efeitos da diarreia.
  • Gestão de suporte: O tratamento é sintomático e foca-se na gestão das consequências da perda de líquidos.
  • Estado do antídoto: Não são necessárias contramedidas específicas para a gestão de uma sobredosagem aguda.
  • Consideração específica: A informação oficial destaca que a administração a longo prazo de doses elevadas não aprovadas em certas populações de doentes, como aqueles com Colangite Esclerosante Primária, foi associada a resultados graves, incluindo um aumento do risco de morte ou a necessidade de transplante hepático.

Este perfil define as ações de emergência como estritamente de suporte, sendo necessárias apenas para gerir o desequilíbrio resultante do sintoma gastrointestinal primário.

Usos terapêuticos de Ursodez

Factos Rápidos: Domínios Terapêuticos

  • Colangite Biliar Primária (CBP): Auxilia na gestão desta doença hepática crónica.
  • Dissolução de Cálculos Biliares: Utilizado para facilitar a dissolução de determinados cálculos biliares não calcificados.
  • Prevenção de Cálculos Biliares: Pode ser utilizado para prevenir a formação de cálculos biliares em doentes submetidos a uma perda de peso rápida.

O Ursodez (ursodiol) é um composto terapêutico utilizado para tratar determinadas condições que envolvem o fígado e a vesícula biliar. O medicamento é utilizado principalmente na gestão da Colangite Biliar Primária (CBP), uma doença hepática autoimune crónica. Neste contexto, ajuda a melhorar os resultados dos testes de função hepática e pode auxiliar no retardamento da progressão da doença.

Adicionalmente, o Ursodez é prescrito para a dissolução de tipos específicos de cálculos biliares. Está indicado para cálculos não calcificados compostos por colesterol, em doentes para os quais a cirurgia não é uma opção adequada. O composto é também utilizado como medida preventiva para inibir a formação de novos cálculos biliares em indivíduos que apresentem uma perda de peso rápida ou significativa. Os doentes devem consultar um profissional de saúde para determinar se esta terapia é apropriada para as suas necessidades de saúde específicas. Esta abordagem está alinhada com os dados clínicos mais recentes para as utilizações aprovadas do fármaco.

Critérios de utilização e restrições

A elegibilidade para a utilização de Ursodez (ácido ursodesoxicólico) é rigorosamente definida pelos documentos regulamentares, que distinguem entre as populações autorizadas, com restrições ou proibidas de utilizar o fármaco.

Populações Autorizadas e Contraindicações

O Ursodez está aprovado para utilização em adultos para a Colangite Biliar Primária (CBP) e para a dissolução ou prevenção de cálculos biliares de colesterol específicos, não calcificados. A utilização pediátrica está especificamente aprovada (habitualmente entre os 6 e os 18 anos) para doenças hepatobiliares associadas à fibrose cística. A segurança e a eficácia gerais para outras utilizações pediátricas não estão, frequentemente, estabelecidas pelos organismos regulamentares.

A utilização está absolutamente contraindicada em doentes com hipersensibilidade documentada aos ácidos biliares, obstrução total do trato biliar, inflamação aguda da vesícula biliar ou vesícula biliar não funcional. O medicamento é também estritamente proibido para o tratamento de cálculos biliares calcificados (radiopacos) e em doentes com cirrose hepática avançada e descompensada (indicada por condições como a hemorragia de varizes).

Restrições Reprodutivas e Especiais

Relativamente à gravidez, a utilização não é recomendada e está restrita a casos em que a necessidade seja claramente essencial, especialmente durante o primeiro trimestre. As mulheres em idade fértil devem, de acordo com as informações oficiais, utilizar métodos contracetivos fiáveis durante todo o tratamento. A utilização também não é recomendada para mulheres que estejam a amamentar. É necessária precaução em doentes com condições médicas que predisponham à estase intestinal.

O que devo saber sobre interações com outros medicamentos?

Interações com outros medicamentos e produtos

O perfil de interações do Ursodez (Ácido Ursodesoxicólico) é definido por efeitos oficialmente documentados na absorção de fármacos e pela interferência recíproca na eficácia, conforme estabelecido na informação de prescrição. As principais condicionantes envolvem a coadministração com outros agentes que afetam a reserva de ácidos biliares ou a absorção intestinal.

Categorias de Interações Documentadas

Tipo de Interação Agentes Interagentes Resultado Oficial
Redução da Absorção do Ursodez Sequestrantes dos ácidos biliares (ex.: colestiramina, colestipol) e antiácidos à base de alumínio (ex.: hidróxido de alumínio) Interfere na ação do Ursodez ao reduzir a sua absorção intestinal.
Aumento da Exposição de Fármaco Coadministrado Ciclosporina O Ursodez pode aumentar a absorção intestinal e as concentrações sanguíneas da ciclosporina.
Antagonismo Farmacodinâmico Estrogénios, contracetivos orais hormonais, clofibrato Neutraliza a eficácia terapêutica do Ursodez ao aumentar a secreção biliar de colesterol.

Restrições e Condições de Administração

A documentação oficial estabelece regras quanto ao momento da administração para gerir as interações. Para prevenir a redução significativa da absorção do Ursodez, agentes como os sequestrantes dos ácidos biliares e os antiácidos à base de alumínio devem ser administrados pelo menos duas horas antes ou quatro horas após a toma de Ursodez.

Além disso, o uso de contracetivos hormonais e estrogénios está oficialmente restringido em mulheres que recebem Ursodez com o propósito de dissolução de cálculos biliares, devido ao risco confirmado de antagonismo farmacodinâmico, sendo necessária a utilização de métodos contracetivos não hormonais neste contexto de tratamento.

Mecanismo de ação

O ácido ursodesoxicólico (AUDC) é um ácido biliar hidrofílico de ocorrência natural que atua principalmente através da modificação da composição da reserva total de ácidos biliares.


Efeito Citoprotetor e Modulação dos Ácidos Biliares

O AUDC substitui competitivamente os ácidos biliares hidrofóbicos endógenos, como o ácido desoxicólico, dentro da circulação entero-hepática. Esta alteração nas proporções relativas dos ácidos biliares está mecanisticamente associada à manutenção da integridade da membrana celular e à redução das lesões causadas pelas espécies de ácidos biliares mais lipofílicas nos hepatócitos e colangiócitos.


Reforço da Secreção Biliar

O AUDC influencia mecanismos de transporte fundamentais na superfície dos hepatócitos. Promove a colerese (estimulação do fluxo biliar) através do aumento da secreção de ácidos biliares e de bicarbonato para o ducto biliar. Estas ações facilitam o movimento da bílis, resultando numa redução das concentrações de compostos lipofílicos no sistema biliar.


Regulação da Saturação do Colesterol

Um terceiro domínio envolve a influência do AUDC no metabolismo lipídico e na composição da bílis. O composto modifica a saturação de colesterol da bílis através de dois efeitos principais: a supressão da síntese e secreção de colesterol pelo fígado e a inibição da absorção intestinal de colesterol. Esta modificação sistémica da composição biliar aumenta a solubilidade relativa do colesterol.

Informações sobre dosagem e administração

Orientações Oficiais de Administração

O ácido ursodesoxicólico (Ursodez/Ursodiol) é administrado exclusivamente por via oral, utilizando as formas farmacêuticas disponíveis, tais como cápsulas, comprimidos revestidos e suspensão oral. O padrão específico de utilização, incluindo a dose e a frequência, é determinado pela condição clínica a ser tratada.

Padrões de Dosagem e Frequência

O medicamento é doseado com base no peso corporal do doente, sendo que o regime geral para a Colangite Biliar Primária (CBP) varia entre 13 a 15 mg/kg/dia. Esta quantidade diária é habitualmente dividida em duas a quatro tomas e deve ser ingerida com alimentos. Para doentes em tratamento para a dissolução de cálculos biliares de colesterol não calcificados, a dose diária habitual é de 8 a 12 mg/kg/dia, sendo geralmente concentrada numa toma única diária ao deitar.

Condicionalismos na Administração

A duração do tratamento está condicionada pela indicação terapêutica; o uso na CBP é considerado contínuo e de longo prazo, enquanto o tratamento para a dissolução de cálculos biliares pode exigir entre seis meses a dois anos, devendo ser mantido durante vários meses após a confirmação da eliminação dos cálculos. As formas farmacêuticas sólidas, como cápsulas e comprimidos, devem ser deglutidas inteiras com líquidos. No entanto, os comprimidos sulcados podem ser divididos ao meio para permitir uma dosagem precisa, mas devem ser engolidos sem mastigar.

Uma instrução crítica para a utilização correta é a necessidade de separar a administração em, pelo menos, duas horas em relação a agentes sequestrantes dos ácidos biliares e antiácidos que contenham hidróxido de alumínio, de modo a evitar a interferência na absorção. Para doentes pediátricos (entre os 6 e os 18 anos) com doenças hepáticas específicas, é citado oficialmente um regime adaptado de 20 mg/kg/dia em doses divididas.

Evidência clínica recente

Evidência Científica / Visão Geral dos Estudos sobre o Ursodez


Evidência para a Utilização na Colangite Biliar Primária (CBP)

A investigação sobre o Ursodez na Colangite Biliar Primária (CBP), uma condição caracterizada por limitações funcionais e desequilíbrios sistémicos, foi analisada tanto em Ensaios Clínicos Controlados e Aleatorizados (ECCA) como em estudos de coorte observacionais de larga escala. Os investigadores monitorizaram resultados relacionados com o equilíbrio sistémico ou funcional, tais como alterações em testes laboratoriais fundamentais da função hepática, nomeadamente a Fosfatase Alcalina e a Bilirrubina Total.

Os resultados descrevem padrões observados nos estudos em que foi medida uma redução nos níveis destes marcadores bioquímicos durante o período de estudo. Dados provenientes de contextos observacionais de longo prazo indicam padrões em que a redução dos níveis destes marcadores foi associada a uma sobrevivência prolongada livre de transplante. O efeito em resultados subjetivos reportados pelos doentes, como a fadiga crónica e o prurido (comichão), permanece incerto, uma vez que os resultados foram variáveis entre os diferentes estudos.


Evidência para a Dissolução e Prevenção de Cálculos Biliares

Foram realizados estudos sobre a dissolução de cálculos biliares, especificamente os compostos por colesterol que não se encontram calcificados. Estes estudos foram principalmente ECCA desenhados para observar as respostas em intervalos de tempo definidos. A investigação sublinha as alterações medidas, sendo que as taxas de dissolução reportadas foram observadas com maior frequência em estudos que envolviam cálculos pequenos ou lama biliar.

A segunda área examinada foi a prevenção de cálculos biliares em populações específicas de alto risco, como adultos com obesidade submetidos a uma perda de peso rápida. Os estudos monitorizaram a incidência de formação de novos cálculos. Os resultados descrevem padrões onde foi monitorizada uma diferença na incidência reportada de formação de novos cálculos entre o grupo que recebeu o agente e o grupo de controlo. No entanto, a evidência é limitada quanto à durabilidade do efeito de dissolução, uma vez que os estudos relatam uma limitação na investigação que envolve a subsequente elevada taxa de recorrência dos cálculos.


O que permanece incerto sobre o Ursodez

A investigação sobre desfechos clínicos de longo prazo, como a sobrevivência, é complexa porque, embora os estudos de coorte de larga dimensão reportem padrões específicos, os ECCA iniciais de menor duração apresentaram resultados inconsistentes quanto a estes objetivos. A utilização de marcadores bioquímicos como medidas indiretas (ou objetivos substitutos / surrogate endpoints) continua a ser uma limitação da investigação. A evidência comparativa face a outras terapias atuais e os dados para certos grupos, como crianças ou grávidas, permanecem insuficientes, tendo a investigação focado essencialmente as indicações aprovadas em adultos.

Como Ursodez deve ser armazenado e descartado?

Requisitos de Conservação e Eliminação do Ursodez

A conservação do Ursodez (ácido ursodesoxicólico) deve ser realizada sob condições ambientais específicas para manter a sua estabilidade, conforme definido na rotulagem oficial.

Condições de Conservação

O medicamento deve ser mantido a uma Temperatura Ambiente Controlada, habitualmente entre os 20 °C e os 25 °C. O produto deve ser conservado na embalagem de origem, fechada e protetora da luz, e protegido da humidade e do calor. É estritamente necessário evitar que o medicamento congele.

Manuseamento e Segurança Infantil

Para segurança das crianças, o Ursodez deve ser conservado fora do alcance e da vista das crianças. Se um comprimido sulcado for dividido, as metades resultantes devem ser utilizadas num prazo máximo de 28 dias.

Instruções de Eliminação

Os medicamentos fora de prazo ou não utilizados devem ser eliminados de acordo com os requisitos locais. Os doentes são aconselhados a consultar um profissional de saúde para obter orientações sobre o procedimento correto para descartar o produto não utilizado.

Atenção! Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de usar pílulas ou medicamentos.

Disponível em países:

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