Evidência de Investigação / Visão Geral dos Estudos sobre o Ketipinor (Quetiapina)
Evidência para o Tratamento da Esquizofrenia
A investigação analisou a utilização da quetiapina em adultos e adolescentes que apresentam condições caracterizadas por manifestações flutuantes ou episódicas. Estes estudos envolveram principalmente ensaios clínicos aleatorizados (ECA) de curto prazo (cerca de seis semanas), comparando o fármaco em estudo com uma substância inativa (placebo) ou com outros fármacos comparadores ativos, focando-se em adultos com atividade sintomática aguda. O foco principal destes ensaios incidiu sobre os resultados que descrevem alterações episódicas ou agudas nos sintomas nucleares, medidos através de escalas de classificação padronizadas como a PANSS.
Os resultados destes estudos de curto prazo descreveram padrões observados nas pontuações de sintomas entre os grupos de tratamento ativo e o grupo placebo. A investigação também explorou as alterações de sintomas em populações mais jovens, com estudos relevantes em ensaios que avaliaram padrões de sintomas de curto prazo ou episódicos em adolescentes dos 13 aos 17 anos. Foram também realizados estudos de manutenção de longo prazo, onde a investigação monitorizou o tempo decorrido antes da recorrência de sintomas percetíveis em indivíduos que foram acompanhados durante fases de estabilidade.
O que permanece incerto sobre esta investigação é que, embora existam muitos ensaios de curto prazo, a qualidade da evidência pode variar entre os estudos, particularmente devido à presença de dados de resultados em falta em ensaios mais antigos. Além disso, a evidência controlada por placebo está frequentemente limitada a intervalos de tempo relativamente breves, o que significa que a informação disponível para resultados de longo prazo a partir de desenhos aleatorizados é limitada.
Evidência para o Tratamento da Perturbação Bipolar (Mania, Depressão e Manutenção)
A quetiapina foi estudada para condições caracterizadas por manifestações flutuantes ou episódicas na Perturbação Bipolar I e Bipolar II, ao longo de diferentes fases da doença.
Para episódios maníacos agudos ou mistos, foram realizados ECA de curto prazo (tipicamente de três a 12 semanas) em adultos. Os ensaios analisaram resultados que captam fases de atividade sintomática aumentada, utilizando escalas como a YMRS. A investigação também estudou os efeitos da quetiapina quando utilizada isoladamente ou em combinação com outros tratamentos padrão. Para episódios depressivos associados à Perturbação Bipolar, foram realizados ECA de curto prazo independentes (tipicamente de oito semanas) em adultos. Estes estudos mediram resultados relacionados com o desequilíbrio sistémico ou funcional, tais como a gravidade dos sintomas depressivos, e monitorizaram a ocorrência de uma transição para um estado maníaco.
Para a monitorização da recorrência de sintomas (manutenção), foram realizados ECA de longo prazo por períodos de até um ano ou mais. Estes estudos observaram doentes que tinham sido previamente acompanhados com a medicação e monitorizaram o tempo até à recorrência de um novo episódio de humor (maníaco ou depressivo). Os achados descrevem padrões observados nos estudos onde os dados mostram que o tempo até à recorrência foi monitorizado face à substância de controlo inativa (placebo).
Evidência para Utilização na Perturbação Depressiva Maior (PDM) como Tratamento Adjuvante
A investigação explorou a utilização da formulação de libertação prolongada de quetiapina quando adicionada à terapia antidepressiva padrão em adultos com PDM que tinham apresentado uma resposta inadequada ao seu tratamento inicial. Estes estudos focaram-se em episódios onde os sintomas se tornam mais percetíveis. Os ECA de curto prazo (seis a oito semanas) mediram resultados que refletem o funcionamento diário ou o nível de atividade, bem como alterações nas pontuações de gravidade da depressão (MADRS).
Os achados indicam que, quando adicionada a um antidepressivo, as pontuações dos sintomas evoluíram nas populações observadas no final do curto período de estudo. A investigação destaca as alterações medidas nas pontuações de depressão e ansiedade ao longo dos intervalos de tratamento.
O que ainda é incerto é que a base de investigação regulamentar para esta utilização destina-se principalmente ao tratamento adjuvante, o que significa que a sua utilização como tratamento único para a PDM não é o foco destes estudos nucleares. Tal como em muitos ensaios de saúde mental, as durações de acompanhamento foram limitadas (tipicamente apenas algumas semanas), existindo, portanto, informação limitada sobre resultados de longo prazo do tratamento adjuvante a partir destes desenhos aleatorizados.
Investigação de Longo Prazo e Durações de Acompanhamento
Em todas as condições principais, os estudos de longo prazo centram-se na monitorização da recorrência de sintomas. Estes ensaios de manutenção aleatorizados e controlados acompanharam frequentemente doentes clinicamente estáveis durante um ano ou mais para monitorizar o tempo até ao próximo episódio agudo. A evidência derivada destes contextos fornece uma visão sobre as alterações de curto prazo e sobre como os sintomas evoluíram ao longo de intervalos de tempo definidos.
No entanto, uma limitação da investigação é que muitos doentes nestes ensaios já tinham sido monitorizados durante a fase aguda da sua doença utilizando o fármaco em estudo. Isto significa que os resultados se aplicam apenas às populações estudadas e fornecem menos contexto sobre a utilização a longo prazo na população geral de indivíduos que iniciam o tratamento pela primeira vez. Em muitos casos, as durações de acompanhamento mais longas foram limitadas em comparação com a natureza crónica das condições subjacentes.
Evidência em Grupos Etários Específicos
A quetiapina foi avaliada em estudos que envolveram adolescentes (jovens dos 13 aos 17 anos) para a esquizofrenia e crianças e adolescentes (dos 10 aos 17 anos) para episódios maníacos agudos na Perturbação Bipolar I. Estes estudos empregaram tipicamente o mesmo desenho de ECA de curto prazo que os ensaios em adultos.
Para os adultos mais velhos (com 65 ou mais anos), a evidência é mais limitada. Para condições como a depressão bipolar, os dados para certos grupos permanecem insuficientes ou derivaram principalmente de análises de subgrupos pequenos em ensaios maiores com adultos, sendo menos comum a existência de investigação dedicada e focada na exploração de alterações sintomáticas de curto prazo em idosos.
Lacunas na Investigação e Incertezas Conhecidas
Existem várias limitações estruturais na base de evidência. Por exemplo, falta evidência comparativa em algumas áreas, o que significa que muitos estudos se focaram em comparações com um placebo inativo em vez de outros tratamentos ativos. A duração de muitos ensaios foca-se em alterações de sintomas de curto prazo, não estando os efeitos a longo prazo totalmente estabelecidos através de desenhos extensos, controlados por placebo e em dupla ocultação, que abranjam muitos anos.
Além disso, os estudos que observam respostas ao longo de intervalos de tempo definidos mostram frequentemente variabilidade entre si, e os achados relativos a certas populações especializadas ou à gestão simultânea de múltiplas condições de saúde ainda estão a surgir. A investigação não determina se um indivíduo responderá de forma semelhante, uma vez que os resultados dos estudos refletem as condições específicas em que foram conduzidos e descrevem padrões de grupo, não resultados pessoais.